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quinta-feira, julho 2, 2026

A premonição de Tropa de Elite II

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22/11/2010 – 22:11

A película de José Padilha estava ainda em fase de pré-lançamento quando um furacão varreu da face da terra de seu Marcelino a maior parte de suas lideranças políticas com mandato popular. Agora, quando, em consequência deste mesmo furacão uma tsunami ameaça o Parque dos Poderes, em Campo Grande, quem assiste “Tropa de Elite II” fica com a sensação de que muito mais que retratar a relação entre a segurança pública e o financiamento de campanhas políticas, no Rio de Janeiro, o filme é premonitório, em relação ao Mato Grosso do Sul.

Uma das cenas mais emblemáticas, neste sentido, é uma tomada geral da Esplanada dos Ministérios, em Brasília, onde fica o Congresso Nacional e para onde também os barões do tráfico de drogas costumam mandar seus representantes. É a cena que dá sentido à parte do enredo em que o tenente-coronel Nascimento, interpretado por Wagner Moura, desmascara os políticos envolvidos com a bandidagem, como o deputado Fortunato (foto), também apresentador de TV (desses que gostam de mandar todo mundo pro ralo, mas que não vivem sem mamar nas tetas gordas do poder). No plenário de um parlamento em alvoroço com sua presença, o policial dá de dedo na cara dos corruptos, que tão bem conhece, dizendo que, dali, poucos são os que se salvam, “não mais que meia dúzia”.

Não mais que meia dúzia, também, seria o número de deputados que a Assembleia Legislativa do Mato Grosso do Sul estaria disposta a jogar para as piranhas, por um acordão (não confundir com acórdão) que tentaria salvar a pele da maioria dos nobres pares, disponibilizando-se às investigações apenas documentos dos anos mais recentes. Não havendo o tal acordo, com uma devassa, propriamente dita, a um passado não muito distante, dizem os especialistas em assuntos legislativos, não sobraria ninguém para contar a história. Castigo para o boca mole Ary Rigo e para os que com ele estão solidários ou praga do Valdecir?   

Coincidência ou não, já tem gente poderosa falando em jogar a toalha. O deputado Zé Teixeira, por exemplo, é um dos mais amuados com toda essa história de mensalão. Outro dia, diante de uma provocação do amigo comum Archimedes Ferrinho Lemes Soares, “seu Zé”, ao reiterar sua contrariedade com este blog, pelas críticas daqui recebidas, fez um desabafo, em forma de vaticínio: “é por este tipo de coisa (as críticas) que estou pensando em largar tudo isso aí (a política) e voltar pra casa”.

Como voltar pra casa, logo Zé Teixeira, tão apegado à lida parlamentar e que acaba de se reeleger para o quinto mandato com um caminhão de votos? Mistééééério… como diria a personagem da impagável Perpétua, de Joana Fomm, em Tieta do Agreste.

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