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quinta-feira, julho 2, 2026

Pode faltar cadeia para políticos em Dourados

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12/11/2010 – 10:11

Foto: Anita Tetslaff

O poder de persuasão do Valdecir pode levar muita gente boa para trás das grades.

No início da década de 1970 o jornalista Theodorico Luiz Viegas, da Folha de Dourados, foi preso (depois de dar uns sopapos num major da PM que ocupava o cargo de delegado de polícia) por ter criticado a intenção do governo do Estado de construir um presídio em Dourados. Hoje de manhã lembrei de meu amigo Theodorico, no saguão de um hotel de Campo Grande, enquanto folheava os jornais do Estado com as repercussões e possíveis desdobramentos dos últimos escândalos que abalaram a terra de seu Marcelino. E vejam bem: tudo o que a imprensa publica hoje, que já é de estarrecer, refere-se apenas à operação Owari (ponto final, em japonês, mas que, na verdade teve o efeito de ponto inicial), da Policia Federal, que apurou as primeiras falcatruas do prefeito Ari Valdecir e sua gangue. Nem cemeçaram a mexer, ainda, nos processos da Uragano, razão de ser da prisão do prefeito douradense e alguns de seus ilustres aliados.

Na época em que foi preso Theodorico argumentava que Dourados, cidade pacata e de gente trabalhadora, não precisava de presídios, mas, sim, obras que pudessem alavancar seu emergente desenvolvimento. O governador José Fragelli, coincidência ou não, o desistiu da ideia do presídio, preferindo não complicar, fazendo o feijão-com-arroz, que, para a época, já era muito, bastando dar sequência ao grande projeto de desenvolvimento lançado pelo antecessor, Pedro Pedrossian.

Hoje, a penitenciária de máxima construída no início da década de oitenta para atender à demanda decorrente do surto de desenvolvimento reclamado por Theodorico Luiz Viegas está superlotada de criminosos comuns, mas, pelo jeito, terá que ser adaptada para atender outra demanda – a de políticos (com mandatos) salafrários e seus comparsas, como secretários e assessores, além de um grande número de empresários, também corruptos.

Chega-se a essa conclusão no momento em que começa a vir à tona o teor dos processos que até então corriam em segredo de justiça, com os números da corrupção assustando não só pelo tanto que se roubou, mas como se roubou e quem roubou. Enquanto se imaginava apenas o Valdecir e sua corriola metendo a mão no dinheiro público, vá lá, trata-se de um desvairado, totalmente despreparado para o cargo, assessorado por um bando de puxa-sacos e incompetentes. Mas, na medida em que a relação dos envolvidos começa a vir a público, com os valores do tanto que podem ter roubado ao lado, aí a coisa é de dar medo.

Pior de tudo isso é o poder de persuasão do Valdecir, que conseguiu envolver pessoas e instituições até então tidas como idôneas, como é o caso do tradicionalíssimo Hospital Evangélico e seus diretores. Pessoas e instituições que precisarão não apenas de um simples álibi, mas de histórias pra lá de convincentes diante de colegiados como o do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul, ofendido mortalmente em sua credibilidade depois das bombásticas declarações do deputado Ary Rigo. Tudo, também, por causa do Valdecir.

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