08/11/2010 – 11:11
Em ampla matéria assinada por Adilson Trindade e Maria Matheus, em sua edição de hoje, ao analisar “as rixas que se aprofundam e deixam o PT em cacos” no Estado, o Correio do Estado, mesmo que por vias tortas, acaba por descortinar um dos maiores “enigmas” das eleições passadas: a estratégia de longo prazo entre André Puccinelli e Delcídio do Amaral pelo revezamento do poder em Mato Grosso do Sul.
Num olho (aquele destaque no meio do texto) da matéria publicada na página 04 o jornal campo-grandense informa que “Delcídio espera contar com apoio de André Puccinelli em 2014, em retribuição de não se (sic) engajar na campanha de José Orcírio nas eleições deste ano”.
Quando escreve que Delcídio espera contar com o apoio de André, claro que ninguém pode imaginar um no palanque do outro, mas aquele jogo de gato e rato que se viu não faz muitos dias, principalmente quanto às eleições para o Senado.
O mais fiel dos intérpretes do pensamento de Antonio João Hugo Rodrigues, dono do Correio do Estado e “tradista” de carteirinha, Adilson Trindade lembra, como dificuldade para a transformação do sonho do senador corumbaense em realidade, o compromisso do governador André Puccinelli com a eleição do prefeito Nelsinho Trad como seu sucessor no Parque dos Poderes. Isso, no entanto, apenas como forma de começar a pegar o italiano pela palavra, pois não é segredo que muitas são as sequelas da eleição passada, principalmente no tocante ao relacionamento do governador com a família Trad, até pelo imbróglio da candidatura Murilo Zauith ao Senado e seu surpreendente desempenho nas urnas da capital, para o quê André torce o nariz agora mas, com certeza, dará o troco lá na frente.
André Puccinelli tem dito que dependura as chuteiras ao final do mandato como governador. Aposto um picolé de groselha que não, pelo menos no mandato que se inicia em janeiro próximo, e que, ao invés de tentar fazer Simone Tebet senadora, como bem coloca também a mesma reportagem de Trindade e Matheus, ele é quem vai para o Senado, para que sua vice cumpra, aí sim, a trajetória do pai, Ramez Tebet, que só virou senador depois de nove meses como substituto do governador Wilson Martins.
Como é daqueles que se gabam pelo cumprimento, sempre, da palavra empenhada, depois de quatro anos de Senado, André Puccinelli volta a se candidatar ao governo, e, aí, não tem mais estratégia, e que saia da frente Delcídio ou seja lá quem for que estiver no cargo ou pretendendo-o, cumpre-se o que agora se promete: o encerramento da carreira como governador.
