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Ainda o “MS Forte”, e sem corrupção

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07/10/2009 – 18:10

Difícil num país onde a corrupção grassa em forma de pandemia não se fazer contas e mais contas toda vez que um governante aparece com um grande pacote de obras, por mais bem intencionado que esteja. É o caso do tal pacotaço do governador André Puccinelli, lançado na última sexta-feira com o simplório nome de “MS Forte”. Não tenham dúvidas: enquanto a propaganda do governo do Estado na TV tenta massificar a ideia de uma nova era desenvolvimentista, com asfalto de norte a sul; de leste a oeste, como destaque entre as grandes obras anunciadas, não são poucos os que fazem as contas de quanto vai sobrar disso tudo para a campanha do ano que vem. O que tem de deputado, principalmente, refestelado, não é brincadeira, imaginando finalmente ter chegado a hora de tirar a barriga da miséria, mesmo em se tratando de um governo Puccinelli.

A única dúvida é quanto aos percentuais atualmente praticados. Embora a tabela mude dependendo de quem está no governo, os operadores são sempre os mesmos. Basta que se troquem nomes e endereços das empresas aquinhoadas com as grandes obras. E, pior, tudo com o aval de quem, por direito e responsabilidade, deveria fiscalizar. Normalmente políticos, também, a maioria, desses que se perpetuam no poder, já que o voto é comprado com o dinheiro dessa mesma corrupção.

E tudo é uma questão de hipocrisia, em que pese a atuação cada vez mais dura de alguns verdadeiros Dons Quixotes desses novos tempos – essa moçada da Polícia Federal e do Ministério Público. A grande maioria rouba e deixa roubar. A coisa chegou num ponto que é, simplesmente, feio não roubar. Trouxa, quem não mete a mão. Este, o conceito.

As comportas da corrupção foram abertas de tal forma no Brasil que há muito se cogita embutir na tão decantada reforma política um fundo público de financiamento de campanhas políticas, como se o dinheiro que hoje jorra das empreiteiras para o caixa dois dos candidatos não saísse da mesma fonte. Ou seja, é a máscara caindo de vez, com a criação de uma rubrica para se oficializar a roubalheira que come solta em todos os níveis da administração.

Talvez por tudo isso só agora, depois de 32 anos, André Puccinelli precise desses três bilhões de reais para fazer aquilo que o presidente Ernesto Geisel havia sonhado quando dividiu o Mato Grosso: um Mato Grosso do Sul forte. E que bom se essa grana toda fosse aplicada apenas e tão somente no desenvolvimento do Estado. Aí sim, sem corrupção, teríamos um MS forte.

 

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