16/08/2009 – 11:08
Foto: Anita Tetslaff
Por essa o Valdecir não esperava, com apenas seis meses de administração.
A gostosa brisa da manhã de sábado passado, cujos redemoinhos da terra vermelha da praça em construção sequer conseguiam vencer os tapumes naquele dia cobertos de lona preta, nem de longe lembrava o prenúncio do que parecia ser uma grande tempestade antecedendo uma estrondosa manifestação organizada pelo deputado Valdenir Machado contra o sumiço das verbas da Perimetral Norte, no já longínquo agosto de 1992, nos altos do meu Jaguapiru. O movimento, agora, organizado pelo Comitê de Defesa Popular de Dourados é contra os larápios pegos com a boca na botija pelos homens do xerife Bráulio Galloni e que no início desta semana deverão figurar no rol de indiciados pelo Ministério Público.
Enquanto os integrantes do Comitê de Defesa Popular estendiam lonas pretas sobre as propagandas da prefeitura, com palavras de ordem contra a rapinagem, alguns gatos pingados se achegavam de mansinho, uns meios ressabiados, afinal os envolvidos no maior escândalo de corrupção da história da terra de seu Marcelino são famosos e poderosos. O presidente do Sindicato dos Bancários, Joacir Rodrigues, um dos organizadores do movimento, fazia questão de esclarecer que ninguém foi pego a laço para protestar, como alguns dos acusados fazem em dias de sessão da Câmara. O araponga aposentado Jamil de Campos Ahum e o delegado, idem, Telê Pompeu nem se davam ao trabalho de calcular o número de presentes: não se faz mais manifestações como antigamente. O ex-vereador Paulo Falcão, com bastante experiência nesse tipo de agito, circulava entre os presentes, doido para falar, mas contendo-se para não polemizar com os organizadores. O também ex-vereador Ribeiro Arce, sempre chegado a um microfone nessas ocasiões, desistiu de falar quando viu o nome de Tetila grafado em amarelo numa das lonas pretas, como um dos envolvidos na camofa. O médico Luiz Machado confabulava como o colega e presidente da Associação Médica, Jorge Baldasso, sobre os grandes negócios envolvendo a saúde pública, nestes tempos de Owari. Nos microfones, os representantes de sindicatos se revezavam em discursos, tentando fazer com que os passantes captassem suas mensagens. Sim, porque se dependesse dos que se dignaram a parar para ver o que estava acontecendo, o movimento teria sido um fracasso. Mas foi um começo, uma espécie de aperitivo, antecedendo a remessa que o Ministério Público deve fazer esta semana ao Fórum, com os nomes de todos os indiciados.
Um dia antes, na mesma praça, gays, lésbicas, travestis, etc. e tal perderam uma grande oportunidade, a de incluir na pauta de reivindicações da já tradicional parada gay, uma palhinha que fosse por justiça contra os crimes listados nas operações Owari e Brother, que não se limitam ao assalto aos cofres públicos, mas que dizem respeito também às suas atividades.
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