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Diploma não é tudo no jornalismo

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18/06/2009 – 10:06

Perdi a conta de quantos jornalistas com diploma ensinei a escrever. Não tive tempo nem dinheiro para cursar uma faculdade. Além disso, naqueles tempos elas nem existiam por aqui. Tudo que aprendi foi na lida, escrevendo meus primeiros textos no próprio componedor (aquela pecinha arcaica na qual se juntavam os tipos móveis para impressão de jornal). Isso, aos dezesseis anos de idade. Virei, pois, jornalista, mas sempre constrangido de identificar-me como tal. Até que um dia o presidente do Sindicato Jornalistas de Mato Grosso do Sul, Edson Silva, que era professor do curso de jornalismo da UFMS, intimou-me a fazer o registro profissional, um direito que a legislação me assegurava, enchendo-me de louvores e lembrando o caso de um professor de jornalismo da faculdade de Londrina em situação idêntica à minha.

Agora, com a decisão do Supremo Tribunal Federal de acabar com a obrigatoriedade do diploma para o exercício profissional, levantam-se novamente as vozes dos sindicalistas, mais preocupados com os salários da categoria do que com a qualidade dos textos ou com as questões éticas.

Pior de tudo é o desrespeito com quem está na profissão há anos (os chamados “jurássicos”, entre os quais me incluo, ao lado de Vander Verão, Cícero Faria, Clóvis de Oliveira, entre outros). Vejam, por exemplo, um trecho da nota, muito mal redigida, por sinal, do Sindicato dos Jornalistas da Grande Dourados, sobre a questão: “Entendemos que tal decisão precariza a profissão, deixa o mercado aberto para oportunistas e pessoas de má índole com interesses escusos poderem desconstruir as relações trabalhistas que atualmente são praticadas no país. Enquanto sindicato nos sentimos no dever de informar à população que os senhores ministros acabaram por prejudicar 80 mil jornalistas brasileiros graduados, as 400 faculdades de comunicação social existentes em nossas universidades e 2.500 professores de jornalismo e, porque não dizer, a sociedade brasileira”.

Pelo jeito o Sindicato dos Jornalistas da Grande Dourados concorda com o pensamento do senador João Pedro (PT-AM), que ao defender o diploma, na tribuna do Senado, um dia antes da votação no STF, disse que “não cabe meio jornalista, meio profissional”, como se o “canudo”, apenas, como o que as faculdades distribuem por aí, fosse tudo para o correto exercício profissional. Seria o caso de dizer ao senador, que pelo jeito não entende patavina de jornalismo, que no Senado também não cabe meio senador.

Quanto aos puristas do Sinjorgran, que aprendam a escrever primeiro, para depois passar lição de moral.

Leia “O apartheid nas redações”, artigo de Fábio Dorta em http://www.valfridosilva.com/artigos.php

 

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