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André no Triângulo das Bermudas

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25/05/2009 – 00:05

O prefeito Braz Melo estava no auge de sua popularidade, naquele seu glorioso primeiro mandato, quando chegou a hora de indicar um nome à sua sucessão. O deputado Valdenir Machado seria o candidato natural, mas Braz resolveu inventar moda, já como candidato também natural que era ao governo do Estado àquela altura dos acontecimentos, lançando seu secretário de obras, Antonio Nogueira. Braz perdeu a eleição e o bonde da história, surgindo daí a oportunidade para André Puccinelli ascender como grande liderança peemedebista.

Pedro Pedrossian, depois de passar à história como o maior governador dos dois Mato Grossos, fez uma lambança danada quando da criação do Mato Grosso do Sul, inviabilizando-se como primeiro governador nomeado, depois derrubando os dois primeiros (Harry Amorim e Marcelo Miranda) que se aventuraram na empreitada para assumir, ele próprio, o governo, já na metade daquele período. Mesmo assim, iniciou a implantação de um grande projeto de desenvolvimento para o Estado que acabava de nascer. Em 1990 virou governador de novo, aí, eleito, fazendo uma quarta tentativa em 1998, quando foi traído pela soberba, afrontando o eleitorado num reluzente helicóptero e esnobando num debate na TV ao afirmar que preferiria continuar com suas pescarias no Touro Morto, seu pesqueiro à beira do Rio Miranda, mas que estava na disputa para cumprir com a missão que o destino lhe reservara. Foi humilhado nas urnas ainda no primeiro turno, abrindo caminho para a entronização de Zeca e do PT no comando da política estadual.

Interessante notar que o avanço de Zeca do PT sobre o pedrossianismo começou exatamente por Dourados, a mesma cidade que antes de perder a oportunidade de fazer Braz Melo governador havia negado fogo com o melhor de seus prefeitos, José Elias Moreira, impedindo que ele se tornasse o primeiro governador eleito do Mato Grosso do Sul.

Agora, o governador André Puccinelli, quase um douradense também, de rusga com o prefeito Valdecir, por ele considerado “um animal de pêlo curto” e humilhando a todo instante seu vice-governador, Murilo Zauith, que é de Dourados, arrisca-se num projeto de reeleição sem dar bolas ao eleitorado da cidade que pode ser considerada uma espécie de Triangulo das Bermudas da política estadual, pela forma “traiçoeira” com que traga não só líderes locais como também todos aqueles que com ela se metem a besta. E com um agravante: o prefeito deste “Triangulo das Bermudas”, alvo de seus deboches, que ainda deverá estar em lua-de-mel com seus eleitores, até pela forma indiferente como vem sendo tratado no governo, deverá retribuir o apoio recebido nas urnas ano passado do amigo Zeca do PT, o mesmo titio Zeca que com uma estilingue abateu o potente helicóptero do então todo poderoso Pedro Pedrossian. Detalhezinho: Zeca, que naquela eleição andava em desabalada carreira pelas ruas, como cansou de fazer em Dourados, hoje viaja confortavelmente de carona à bordo do Boeing presidencial de seu amigo do peito Lula da Silva, e isso faz uma baita diferença. E, lá de cima, certamente não titubeará em torpedear qualquer teco-teco que ameace seu voo de brigadeiro com destino ao Parque dos Poderes, mesmo diante da dúvida cruel de que no mesmo avião de Puccinelli pode estar também seu o companheiro Delcídio do Amaral, restando-lhe a esperança de que a queda seja em pleno pantanal, em cujas águas o rechonchudo senador corumbaense tem alguma chance de sobreviver.

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