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sexta-feira, julho 3, 2026

Dourados exige seu senador

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07/06/2009 – 19:06

O cirurgião-dentista André Tetila acabou com o gancho deste meu texto. É que a ausência de seu pai, ex-prefeito Laerte Tetila ou de alguém a ele ligado no ato político suprapartidário realizado na Aced, sábado de manhã, para o lançamento da campanha pela eleição de um senador por Dourados, remeteria a análise à primeira eleição direta para governador de Mato Grosso do Sul, em 1982, quando o ex-prefeito José Elias Moreira só não chegou ao Parque dos Poderes porque sua campanha foi boicotada pelos adversários políticos da cidade pela qual ele tanto havia feito. E sem Tetila e o PT, convenhamos, não há movimento suprapartidário que prospere. Mas, ao final do encontro, André chegou para avisar que seu “baldi” tinha agenda política em Ponta Porã e que “só” por isso não pode comparecer.

Saindo dali avistei o ex-governador Zeca do PT biritando no Kikão, e só então pude entender o porquê de tanto frenesi de Valdecir e sua turma ao final do evento, tentando despistar a imprensa. Titio Zeca estava na área, e também apóia a eleição de um senador douradense. Que alívio! Quem sabe assim, com Tetila, Valdecir, Zeca do PT, mais os descontentes do PMDB, todos de mãos dadas, entrelaçadas e enamoradas, como diria o grande poeta Alcodan, Murilo finalmente desencanta!

Os organizadores, o vice-prefeito Carlinhos Cantor à frente, até que tentaram dar magnitude ao evento, mas a platéia não passou de meia dúzia de gatos-pingados. Uma pena, pois o breakfast estava farto e até a musiquinha da campanha foi apresentada, além de material impresso para o convencimento dos eleitores. O mote, “Sim, nós queremos! Podemos! Merecemos! 1 Senador” foi inspirado na famosa frase “Yes, we can!”, de Barack Obama.

No palco, além de Carlinhos Cantor, que foi logo explicando que o objetivo não é tentar emplacar o próprio nome como candidato ao Senado, garantindo que apenas teve um insight, por entender ser este o timing para a região da Grande Dourados transformar este sonho em realidade, os deputados Vander Loubet (PT) e Zé Teixeira (DEM), os vereadores Jr. Teixeira e Aurélio Bonato, este, humildemente colocando seu nome à disposição do projeto, o presidente da Câmara, Sidlei Alves, o vice-governador Murilo Zauith, que engrossou o tom de voz, dizendo que “Dourados não pode mais deixar que as forças de fora venham rachar nossa cidade”, mas sem se lançar candidato e, finalmente, o Valdecir, fazendo seu show à parte. Ele arrancou aplausos e gargalhadas do público quando “intimou” Murilo Zauith a dizer que é candidato a senador, alertando-o de que se quiser tem que ser agora, pois daqui a cinco anos ele é quem será o candidato, arrancando um “sim” de Zauith.

Na platéia, alguns peemedebistas ressabiados, como o ex-deputado Valdenir Machado, e representantes de famílias tradicionais, como Alckindar Matos Rocha, o delegado Oduvaldo Pompeu, o Telê, e o médico e ex-vereador Luiz Machado, que, com toda a sabedoria de quem aprendeu fazer política com o primo Londres Machado estava meio cético, achando que esse tipo de movimento só dá certo quando brota do povo e não assim, de cima para baixo.  

Carlinhos Cantor só errou em duas coisas. Primeiro ao afirmar ser este o timing para a eleição de um senador do Conesul. Já passou da hora, pois a região está acéfala no Senado desde que Rachid Saldanha Dérzi não conseguiu voltar para seu quinto mandato de senador, em 1995, encerrando uma carreira política de cinqüenta anos. Depois disso, Três Lagoas elegeu Ramez Tebet, Corumbá Delcídio, com Dourados apenas batendo na trave com Egon KKK. O outro erro está no conceito da campanha, pois Dourados não só merece, como exige seu senador.

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