28/06/2009 – 21:06
Acabou a brincadeira. Se alguém tinha dúvidas quanto ao quadro eleitoral do ano que vem elas se dissiparam com a realização do encontro regional do PT neste fim de semana em Dourados. Selada a paz entre as duas maiores estrelas do Partido dos Trabalhadores, Zeca do PT consolida sua candidatura justamente na cidade por onde começou a grande virada na eleição que o levou ao poder pela primeira vez, em 1998, tanto que nem bem terminou a reunião na Câmara Municipal e colocou o pé na estrada, retornando à fronteira onde já garimpava apoios durante toda a semana, enquanto seu até então rival dentro do partido, o senador Delcídio do Amaral, ia para outro lado, embrenhando-se no reduto de André Puccinelli e de Londres Machado – a região de Fátima do Sul – já com o nome de titio Zeca no bolso do colete para indicar aos aliados, agora, como o seu candidato a governador.
Era tudo o que André Puccinelli não queria. Ele invocou o tempo todo os poderes mágicos da fada madrinha Dilma Rousseff para tentar convencer o companheiro Lula da Silva e este a Zeca e Delcídio de que o melhor caminho era um palanque só para PMDB e PT também em Mato Grosso do Sul. Como bom pantaneiro, entretanto, o homem de Murtinho refugava, com a certeza de que com tantos pesos pesados juntos o palanque cederia e afundaria, não passando pelo teste de resistência da sabedoria popular, que jamais aprovaria uma engenharia tão estapafúrdia, diante do histórico de rivalidades entre ele e o polenteiro.
Mas o governador já esperava pelo pior. Antes mesmo da cúpula de sexta-feira em Dourados já torpedeava a também inusitada mas muito provável aliança de seu vice, o democrata Murilo Zauith com os mesmos petistas que agora o colocam no canto do ringue. E, também ele, apelando para a sabedoria popular, mandando ver um “diga-me com quem andas que direi quem tu és” num mau agouro quanto a tentativa de voo solo de Zauith ao Senado com o apoio dos mesmos petistas que até então queria por que queria em seu palanque.
Tanto esperava pelo pior que nem bem a fumaça branca do conclave petista havia se dissipado nos ares douradenses e ele já sacava do bolso do colete seu plano B, com uma chapa puríssima de peemedebistas em postos chaves; além dele próprio, na cabeça, Waldemir Moka como seu candidato a vice-governador, o prefeito Nelsinho Trad como candidato a senador no lugar de Moka e o senador Walter Pereira, que não estava em seus planos, agora servindo como candidato a reeleição, colocando ainda a prefeita de Três Lagoas, Simone Tebet, para correr por fora, para o Senado, ela que seria a sua preferida como companheira de chapa. E por que chapa pura? Porque André sabe que desta vez errou a mão e que não terá em seu palanque nem mesmo o PDT, partido que costuma se servir das benesses governamentais, mas que pula do barco quando melhor lhe convém, como agora, quando a candidatura Zeca parece a mais viável, principalmente para os planos de Dagoberto Nogueira, que não quer saber desse negócio de senado, de vice, de nada, só pensando na prefeitura de Campo Grande, daqui a três anos, e por isso precisando fazer uma estrondosa reeleição à Câmara Federal.
É bom que seja assim. Será a grande oportunidade de André Puccinelli mostrar que além de bom administrador e de gogó é também bom de votos. Mas, para isso, não pode amarelar de novo.
