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Opiniões ou palpites?

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08/03/2010 – 11:03

Isaac Duarte de Barros Junior *

Fazendo minha leitura diária matinal, analisando as reportagens do dia e o pensamento articulado em algumas colunas especializadas dedicadas a política, fiquei bastante preocupado. Sopesando, o fato de já ouvir locutores nos noticiários radiofônicos e apresentadores televisivos, divulgando acontecimentos violentos, o pior mesmo foi constatar a existência de blogs cedendo espaço para internautas sem senso do ridículo, postarem textos como formadores de opinião. O ínclito jornalista Valfrido Silva, nosso maior articulista político na região, havia me alertado sobre as possibilidades disso acontecer algum dia. Assistia-lhe razão, pois a comunicação de massa deve continuar sendo feita, tão somente por quem conhece da profissão. Entretanto, vaidosamente, leitores resolveram articular agasalhados no manto da liberdade de expressão. Com isso, ficou facilitada a ascensão de verdadeiras aberrações leigas nos meios de comunicação. Muitas delas, sem reunir as mínimas condições esperadas, desastrosamente aparecem opinando. Diante do fato, vejo que aquele respeitado periodista nascido na reserva indígena do Jaguapirú e criado no bairro da Cabeceira Alegre, estava certo ao externar a sua inquietação.

Ainda mais ele, que como jornalista, foi testemunha ocular do nascimento de Mato Grosso do Sul. Politicamente divergimos e defendemos posições conflitantes, militando profissionalmente nos meios de comunicação, pois nessa época eu vivi um ambiente privativo para profissionais de imprensa. Mas reconheço nesse repórter democrata, seu alerta a classe plumitiva naqueles idos dos anos setenta. Como radialista, Valfrido ainda preveniu sobre as futuras mudanças na conduta dos cidadãos pobres, que desiludidos acabariam sendo despertados pelas informações da mídia, ao saberem de falcatruas nos bastidores da política. Mesmo expondo as mazelas do sistema republicano, no perigo de delegar poderes de mando populares aos analfabetos sociais, Valfrido antecipando o desastre, mostrou que isso poderia acontecer. Segundo esse jornalista e escritor, o desequilíbrio seria iminente, se os cidadãos eleitores ignorassem as biografias e enfermidades éticas dos candidatos eleitos. Ao menos, essas eram as caboclas preocupações do jornalista Valfrido Silva e do velho empresário Antonio Tonnani.

Ninguém os levou a sério, até surgirem os primeiros “líderes comunitários”, na verdade rústicos trabalhadores que foram colocados na listagem dos diretórios políticos partidários, para serem manipulados, indicando candidaturas respaldadas pelos políticos tradicionais. Porém, insatisfeitos com as indicações feitas, o populacho se valeu dos dispositivos legais, iniciando nos anos oitenta o famoso ciclo das indicações cômicas. Para os politiqueiros de bairros concorrerem, conseguindo ganhar as eleições, inventaram as visitas domiciliares de porta em porta. Com as facilidades, oportunizadas pela Lei Eleitoral, verdadeiros espantalhos de comportamento hilário, foram eleitos e fizeram dos seus municípios, politicamente uma piada. Finalmente, graças aos beócios culturais nos palanques eleitoreiros, a nossa língua portuguesa, filha do latim, foi chulamente assassinada por “líderes” aculturados, no meio da aclamação anfibológica do eleitorado parvo. E enquanto o caldo desse chiste engrossava, o saudoso Antonio Tonnani foi contar anedotas no céu. Quanto ao jornalista Valfrido Silva, este ficou apreciando com um dicionário nas mãos, as trapalhadas de lingüística dos novos comandantes. Certamente, se nesse ínterim, ele atirasse um desses saltérios em cima dos palanques, armados com sonorização barulhenta nas periferias, certamente teríamos um “atentado” real, bem mais crível do que alguns noticiados, caso fosse investigado.

Ocorre que hoje qualquer município atingindo a sua independência econômica, representa no contexto o sonho materializado dos munícipes mortos e vivos. E nele, ninguém pode destruir objetos de arte históricos, sem acertar depois as contas com a lei. Também, não se pode negligenciar na prestação de serviços urgentes, tão necessários a saúde, como a limpeza urbana. Sabe-se que existem municípios em Mato Grosso do Sul, violentando descaradamente o ecossistema, aumentando o desgosto popular com administrações, cuja probidade é cobrada pelo Ministério Público estadual, por estarem sob suspeita. Para mim é o que basta, política afinal, não é um simples picadeiro de circo.

Chega, portanto, de tantos constrangimentos e basta de orgias com o dinheiro do povo. Sendo iguais perante a lei, até para eleger idiotas, podemos exigir mudanças. Porque, sem dúvida, é preciso uma intervenção estadual em desfavor de prefeitos arrogantes e aculturados, afinal o povo tolerante merece maior respeito no sistema republicano.  Ademais, a presença desses alcaides ridículos na mídia, só tem despertado risos de zombaria. Assim, basta de anarquia, porque é preciso instalar a ordem nesses municípios, aliás, como deveria ter sido uma regra no comportamento dos empossados.

*advogado-criminalista,jornalista                                                      e-mail: isane_isane@hotmail.com

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