07/02/2009 – 10:02
A denúncia de que cinco presos cujas mortes são atribuídas a suicídio foram, na verdade, assassinados dentro de presídios, levou ao Estado de Alagoas uma equipe de peritos da Secretaria Nacional de Direitos Humanos, com um de seus integrantes, Pedro Montenegro, classificando o caso como uma barbárie. O fato mereceu destaque no Jornal Nacional da Rede Globo, nesta sexta-feira.
No mesmo dia, o jornal O Progresso estampa uma manchete, com base em denúncias do presidente do Conselho Municipal de Saúde, Wilson Cesar Medeiros, dando conta de que nada menos que 190 pessoas morreram no ano passado, em Dourados, vítimas de acidentes de trânsito, mortes que poderiam ter sido evitadas, segundo Wilson Cesar, caso houvesse um atendimento mais eficiente, como o de neurocirurgia, no Hospital de Urgência e Traumas.
Esperei os telejornais locais e também o Jornal Nacional da mesma Rede Globo, para ver a repercussão desta notícia. Afinal, são 190 pessoas que morreram por negligência das autoridades do setor de saúde. Nada. A emissora, pelo jeito, só tem olhos para a Copa do Mundo de 2014, mostrando, a todo instante, o governador André Puccinelli e sua trupe refestelados, ao lado de Luiza Brunet, pelas ruas de Campo Grande. A mesma coisa o prefeito Ari Artuzi, cuja eleição teve como mote a precariedade no sistema de saúde. Nenhuma palavra dele nem de seu secretário de saúde, o enfermeiro Edvaldo Moreira. Eles agora parece terem outras preocupações, como, por exemplo, a “operação caça as bruxas” de perseguição a funcionários e a empresas de adversários políticos. Apenas o deputado Geraldo Resende levantou a voz, o que mereceu uma nota no caderno de variedades do mesmo O Progresso. Nenhum vereador, nenhum senador, ninguém está nem aí pro abacaxi. Afinal, são só 190 mortes.
Para a Secretaria Nacional de Direitos Humanos, os cinco “suicídios” de Alagoas são uma barbárie. Para o deputado Geraldo Resende, as 190 mortes daqui, um genocídio. Para o resto das autoridades e da grande imprensa, isso não é nada. Afinal, estamos em fevereiro. Depois do carnaval, quem sabe, alguém comece a se preocupar com esse tipo de coisa.
