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Terra de Antonio João e rodovia Luiza Brunet

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08/02/2009 – 19:02

Pau que nasce torto morre torto, lembrava sempre meu avô, o pioneiro João Evangelista Luiz da Silva, “seu Gelista”. A coisa vem assim desde a criação do município, tido desde então como “terra de Antonio João”, uma homenagem ao herói da guerra do Paraguai que, segundo polêmica recente, nunca nem por aqui passou, mesmo assim não só dá seu nome à nossa praça principal como está lá, eternizado em monumento, tombando pela Pátria, como também tem seu nome inserido no brasão do município. Pelo seu feito heróico, nada contra, afinal, como canta Almir Sater, Dourados não está hoje onde um dia o Brasil foi Paraguai? 

Não pretendia levar esta polêmica adiante, depois das explicações de ordem legal do ex-prefeito Braz Melo quanto à homenagem ao decano da advocacia, Ayrthon Ferreira Barbosa, agora nome do Teatro Municipal de Dourados. Mas sou tentado a voltar ao tema diante de dois fatos novos a ele pertinentes: a anunciada decisão do governador André Puccinelli de dar o nome de Luiza Brunet à rodovia que liga Dourados à cidade da modelo itaporanense e o desejo manifestado pela família de Harry Amorim Costa de retirar o nome do primeiro governador de Mato Grosso do Sul do Estabelecimento Penal de Dourados, por tudo de negativo que isso representa. 

Imagine o tamanho da encrenca, nos dois casos. Tudo bem que quando se trata de Puccinelli tudo parece poder, até sua polícia sair por aí atirando para matar, mas daí a mudar a lei que proíbe o nome de viventes em obras públicas já é muita falta do quê fazer. Nada contra as curvas de La Brunet, cujo nome inspiraria motoristas mais românticos nas da rodovia com seu nome, em noites enluaradas.  O problema é o governador pegar carona na mudança da lei, com os puxa-sacos de sempre começando a trocar o nome de tudo quanto é logradouro público para “André Puccinelli”. Já imaginou, na Copa do Mundo de 2014, um jogo da seleção brasileira contra o Paraguai em pleno estádio “André Puccinelli”, e não mais no “Pedro Pedrossian”? Aliás, como Puccinelli anda tão fissurado em combater o banditismo e, agora, como a família do buenacho bigodudo Harry Amorim não querendo mais o nome dele lá no Presídio, já fica a sugestão, em caso de troca do nome daquele “estabelecimento”. Nada mal! Para um lugar destinado à guarda bandidos, o nome de alguém que por eles tem tanto desprezo. 

Talvez por essa mania de nossos governantes se meterem nesse tipo de trapalhada é que existem tantas situações esdrúxulas por aí. “Ginásio Municipal Ulysses Guimarães”, por exemplo. Esse até esteve por aqui, tudo bem que para pedir votos, apenas, numa campanha eleitoral. Mas dá para conciliar a sisudez e a sobriedade do grande parlamentar com o tipo de evento que acontece no interior do local que leva seu nome? O último foi uma temporada circense. E o santo bispo dom Theodardo Leitz, dando nome a um salão de eventos cuja inauguração foi marcada por desfiles de lingerie e muito forró? Como bem lembra o irreverente repórter Wademar Ruço, e no dia que resolverem fazer lá uma conferência espírita ou algo do gênero? Ainda do Ruço: e o lendário Faé Bianchi, fundador do Ubiratan Esporte Clube, todo entrevado, coitado, dando uns pinotes no lombo de uma moto turbinada na pista de motocross que leva seu nome? 

Para se evitar esse tipo de constrangimento e o desrespeito, não só com a comunidade, mas também com a memória dos homenageados, o mais correto seria ouvir a população antes da tomada dessas decisões. Não se gasta tanto em pesquisa? Então, que se ouça, primeiro os familiares, depois a população! Assim se evitaria tanta confusão quanto a nomes dados ao bel prazer dos governantes de plantão, como a homenagem do governo petista à companheira Dorcelina Folador, de Mundo Novo, contemplada com o nome do Centro de Convivência da Pessoa com Deficiência numa região da cidade que é berço de tantos pioneiros. 

E que fiquem atentos os nobres edis, pois Ari Artuzi, o atual de plantão, nem bem engatinhava na política, como vereador, e já queria colocar o nome de Sucupira, para homenagear seu tio, Dioclécio “Sucupira” Artuzi, no Canaã I, o bairro onde mora. 

Quando meu avô Gelista morreu o ex-prefeito José Elias Moreira ofereceu-se para prestar a ele alguma homenagem, mas como eram doze irmãos, todos merecedores, e, como José Luiz da Silva, o patriarca dos Urbanos, já dava nome a uma rua no Jardim Água Boa, achei que estava de bom tamanho. É só uma questão de critério, o que falta, principalmente, aos nossos legisladores.

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