12/02/2009 – 15:02
“Pelas barbas do Profeta!”, diria Sancho Pança, o fiel escudeiro de Dom Quixote de La Mancha – o cavaleiro errante de Cervantes – caso se deparasse com a manchete da página dois, do caderno “Dia-a-Dia”, de O Progresso, em sua edição hoje: “Artuzi atrai atenção em Brasília”. Levei um baita susto e em questão de frames de segundos cheguei a imaginar nosso alcaide tentando se jogar da Torre de TV (cartão postal do Distrito Federal), por arrependimento de ter trocado a Assembléia pela Prefeitura, onde buraco é mais embaixo, ou adentrando, aos gritos e sem agendamento, como tem feito por aqui, em algum gabinete ministerial. Ainda bem que foi só o susto pelo impacto da manchete, pois que, entrando no corpo da matéria, pude constatar que a tal atração nada mais era do que um desses arroubos de assessor querendo mostrar serviço.
Bons tempos aqueles em que Dourados era reconhecida lá fora, despertando a atração de grandes investidores e de governantes, mais pelas potencialidades de suas terras e pela qualidade de seu rebanho bovino do que pela excentricidade de quem a governava.
O que mais chama a atenção no texto distribuído pela assessoria da prefeitura é o excesso de bajulação. Segundo o secretário de governo, Darci Caldo, “eles (colegas prefeitos de outras cidades) querem saber como funciona esta metodologia de visitar diariamente os bairros, escolas e postos de saúde; como o prefeito administra o tempo entre despachar no gabinete e vistoriar constantemente obras”. Obras? que obras! Metodologia? Desde quando este tipo de demagogia barata virou metodologia? Minha nossa senhora!
Darci Caldo não sabe da missa um terço. Tirante os grandes demagogos – e o nosso Jânio Quadros é um bom exemplo – por aqui, Totó Câmara e Braz Melo foram grandes mestres nesta arte de fazer política, sempre no contato direto com o povo. Totó madrugava para vistoriar obras, para tomar cafezinho e prosear com seus munícipes. Braz tinha ojeriza a gabinete e gostava de transferir as audiências para a boléia da Bonanza oficial, para mostrar obras e colher sugestões de seus visitantes.
O release da prefeitura diz que Artuzi está sendo assediado por centenas de prefeitos de vários Estados interessados em conhecer sua política de trabalho embora não cite um nome, sequer. Será que essa “política de trabalho” é a do terrorismo contra adversários políticos, com perseguição a funcionários e a fornecedores?
É uma pena que a assessoria do prefeito da maior cidade do interior do Mato Grosso do Sul, em vez de mirar em coisa séria, de se preocupar em vender a imagem positiva do município neste tipo de evento, fique tentando tirar proveito da figura caricata do prefeito. Não é à toa que ele já está sendo chamado de Arigó Artuzi.
Depois dessa, só falta distribuírem à imprensa aquela manjada foto-montagem produzida por um estúdio fotográfico de Brasília, com os prefeitos (que nem perto de Lula chegaram) sendo abraçados pelo presidente e pela Fada Madrinha de André Puccinelli, Dilma Roussef. Com a assessoria que tem, não é difícil que o pobre Artuzi tenha caído nessa, também!
A atração – e a opção – pelo puxa-saquismo pode ser fatal.
