22/03/2009 – 10:03
Num texto cheio de equívocos e de gosto duvidoso, a versão online do “Valor Econômico” fez esta semana reportagem das mais depreciativas sobre a economia de Dourados, tendo como gancho a perspectiva de substituição da soja pela cana. Pela ótica da revista Dourados deve ser uma exceção no Brasil da marolinha do presidente Lula, já que aponta para uma quebradeira geral na agricultura.
“Dependente da soja, Dourados ainda espera o avanço da cana”. Com este título o repórter Patrick Cruz apresenta a cidade como se a cana fosse, literalmente, a salvação da lavoura, esquecendo-se, por exemplo, da pecuária de corte que até pouco tempo ponteou a pauta de exportação e os índices de arrecadação.
O repórter da conceituada publicação econômica viaja no tempo, “e também na maionese”, segundo um produtor indignado com a reportagem. O “Valor Econômico” cita, por exemplo o café e o algodão como culturas de referência na economia do município. Que me lembre, o café só era plantado por aqui, até a primeira metade do século passado, como cultura de subsistência e o algodão, também, muito pouco.
Como referência história a reportagem até que seria válida, já que cita a erva mate, mas isso é coisa dos tempos da Mate Laranjeira, do pós guerra com o Paraguai, não algo que se possa por na balança, agora, para depreciar a cidade e a região.
A infelicidade (ou a maldade) do texto é tão grande que quem tem o mínimo de noção dos números e da história da economia local não precisa ir além do primeiro parágrafo, para compreender que alguma coisa de estranha tem por traz deste material jornalístico. Veja como o sujeito começa o texto: “Peça um café em Dourados e tenha certeza, ele não foi colhido lá. O que era café virou soja. Faça circular na roda o chimarrão – ou o tereré, com água fria, mais à moda local – e tenha certeza, a erva-mate não foi colhida lá”. Precisa continuar?
Com a palavra nossos ilustres parlamentares. E quanta falta faz parlamentar senador numa hora destas! Interessante, e a propósito, é que dois dias depois da publicação da reportagem, o senador Jaime Campos, do Mato Grosso, estava na tribuna do Senado chorando as pitangas por causa da crise que está deixando os mato-grossenses em polvorosa. Será que “Valor Econômico” deu valor às palavras dele ou entende que por lá também é só marolinha?
