02/04/2009 – 18:04
Foto: Ademir Almeida/Diário MS
Depois de mutilada em sua grafia, com extinção do trema da língua portuguesa, a boa e velha linguiça acaba de sofrer um novo abalo, podendo desaparecer de açougues, feiras-livres e supermercados de Dourados. Pelo menos, aquela feita de forma artesanal, com a ponta da peixeira, com carne de primeira, já que a prefeitura e o Ministério Público estão apertando o cerco para combater a produção “clandestina” do produto.
O problema, segundo a promotora Cristiane Amaral Cavalcante, da 10ª Promotora de Justiça de Defesa do Consumidor do MPE em Dourados, é o risco que isso representa à saúde pública, já que a maioria dos açougues e supermercados não cumpre as normas mínimas de higiene, desrespeitando também o consumidor na composição do produto.
O Ministério Público estabeleceu um prazo, que já está expirando, para que todos se enquadrem às normas de higiene e segurança. Acontece que os fabricantes estão diante de uma encruzilhada, alegando que a prefeitura não libera novos alvarás e também não apresenta uma solução para normatizar a situação. Existe até a proposta de criação de uma cooperativa para a implantação de uma indústria, mas isto não agrada o grupo de empresários que já produz embutidos dentro das normas anteriormente previstas pela vigilância sanitária, como ambientes climatizados, maquinário de inox, máquina de embalagem a vácuo, com responsável técnico e registro no Conselho de Medicina Veterinária.
Esses empresários se sentem prejudicados, diante da grande demanda de seus produtos, principalmente linguiça e charque. Eles defendem a ideia da implantação de mini-indústrias em seus estabelecimentos.
Enquanto a prefeitura de Dourados não se decide, e como o MP não brinca em serviço, linguiça, da boa, não basta mais ser de Maracaju. Tem que ser também em Maracaju, cidade que transformou este imprescindível componente do tradicional churrasco do Mato Grosso do Sul em produto de exportação.
