10/04/2009 – 00:04
Foto: AnitaTetslaff
Tal qual Valdecir, em Dourados, Gilberto Kassab foi vereador, deputado, mesmo assim era um ilustre desconhecido em São Paulo. Até que virou vice-prefeito de José Serra, que virou governador, deixando o cargo para o vice. Kassab fez tudo o que é normal, como um prefeito que se preze, asfalto, casas populares, escolas, cuidou da saúde, gerou emprego e renda, mas passará à história, não pela reeleição, ganhando de gente famosa como Marta Suplicy e Geraldo Alckimin, mas por ter acabado com a poluição visual, mandando arrancar as placas de outdoor da maior cidade brasileira.
No dia em que, com pompa e circunstância, Ari Valdecir completa cem dias de administração, o blog faz três sugestões para que ele entre para a galeria dos grandes prefeitos da história da terra de seu Marcelino. Isso, para que não fiquem achando que a gente está aqui só para criticar. Pelo contrário, a torcida é grande para que tudo dê certo. Afinal, como bem lembrou a blogueira Odete Ribas, ao comentar o texto dos “cem dias sem norte”, daqui até o fim do mandato são exatamente 1.361 dias. E isso é como no futebol. Se o jogo é bom, passa que a gente nem vê, mas se for como jogo de pernas-de-pau, aí, meu irmão, dura uma eternidade!
A primeira dica é de ordem conceitual. Valdecir precisa parar com esse negócio de querer ser prefeito. Ou melhor, bedel, pois de acordo com sua alardeada metodologia de trabalho ser prefeito é sair por aí conferindo freqüência de funcionários e instigando usuários dos serviços públicos a baixar o porrete em funcionários em caso de mau atendimento. Tem que deixar a administração para quem entende do riscado, convocando um conselho de notáveis, como fez titio Zeca do PT, de quem ele é fã número um. Melhor, até, como gosta de imitar os outros, que faça como o prefeito Nelsinho Trad, incluindo neste conselho os ex-prefeitos, com quem teria muito que aprender. Braz Melo, por exemplo, não se aguenta de vontade de dar palpites. Humberto Teixeira deixaria de ordenhar suas vaquinhas para sentir os ares do CAM, que construiu. Zé Elias que foi contra, na campanha, com jeitinho, e por Dourados, também seria muito útil. Até Totó Câmara, cujos sábios conselhos Valdecir ouviu muito antes da eleição, abriria mão do conforto da aposentadoria para dar seus pitacos. Ficaria de fora apenas Vivaldi de Oliveira, pela aversão que o maior líder dos autênticos trabalhistas tem de política.
As duas outras dicas são de ordem prática, coisas bem simplesinhas, pra não confundir a cabeça de nosso burgomestre: acabar com a fedentina que paira sobre o ar dos douradenses e com a poluição sonora provocada pelos carros de propaganda volante no centro da cidade. A fedentina, até que dá pra dizer que é coisa de cidade grande, o preço a se pagar pelo progresso. Mas o maldito som que inferniza o centro da cidade é coisa de corrutela. E o Valdecir não pode continuar permitindo esse absurdo.
Sim, porque é normal esse negócio de fazer asfalto, construir salas de aulas, postos de saúde, gerar emprego e renda. Normal e obrigação de todo prefeito que se preze. Ah, o Anel Viário? Isso é obra pra André Puccinelli e não adianta espernear que o filho, se nascer, será dele.
Se Valdecir tiver humildade para deixar que toquem a prefeitura, indo fazer política e só passando lá no final do expediente pra assinar a papelada, com a população livre do cheiro de carniça exalada do Distrito Industrial e do som ambulante no centro da cidade, Dilma Rousseff e José Serra que se cuidem. É lugar garantido no panteão da história, subindo ou não a rampa do Planalto.
