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Um paraíso chamado Dourados

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15/04/2009 – 11:04

Ao descer pro Laranja Doce ontem à tarde percebi que os buracos de minha rua ganharam novas formas. Estavam todos quadriculados, sinal de que a operação tapa-buracos do Valdecir está chegando por aqui também. Que alívio! Estava com um medo danado que meus vizinhos fossem penalizados. Mas a sorte deles é que o líder do prefeito na Câmara também mora por estas bandas.

Hoje cedo, percebi que o jornal estava mais volumoso. Era o encarte dos cem dias do Valdecir. “Uma história de esperança, de alegria e de desenvolvimento”, informa o texto da capa, logo acima do título principal, de uma singeleza sem tamanho: “Apenas 100 dias e você já vê mudanças”. Caracas, como eu ando mal informado!

“Mas esta história esta apenas começando”, diz o subtítulo, chamando para o texto que diz que “em 100 dias de governo a atual administração dá provas de que veio para transformar a cidade”. Ainda bem, né. Se fosse pra continuar como estava, que deixassem o Tetila lá.

Abro a revistinha. Em vez de algum editorial ou da fala do excelentíssimo, na página dois, como é de praxe, uma foto de Dourados chupada do Google Earth com o traçado imaginário do Anel Viário, uma pose do pessoal do Samu e uma fachada do Hospital Evangélico. A saúde agora nem é nota cem. É nota mil.

Na página três, parece piada, mas está lá, no título: “O governo atual promove uma administração diplomática”. Diplomática? Deixa a atendente lá do PAM ameaçada pelo excelência saber disso. Ou será que se referem à forma diplomática como agiram com os sem-teto, arrancados pela guarda municipal de seus barracos no último final de semana, lá no Jóquei Clube? Segue-se uma relação de obras. Ah, e uma foto do Valdecir com Puccinelli e, adivinha com quem mais? Com o paizão Rigo, claro!

Página quatro. Uma sala de aula bem produzida, com alunos sorridentes (nesse dia não deve ter faltado merenda) e os ônibus da nova frota de transporte escolar que estão dando o que falar.

Nas páginas seguintes, relatórios e mais relatórios, induzindo o leitor a imaginar que em cem dias foi feito mais que em cem anos. Talvez por isso muitos oradores tenham falado em cem anos nos eventos comemorativos à data, segundo a coluna “De Olho”, do Diário MS.

Até os Ipês da era Valdecir são mais floridos, de um roxo mais vivo. As capivaras, que desapareceram aqui de meu portão, agora nadam em águas mansas não identificadas, mas com certeza em alguma nova área de preservação demarcada nesses cem dias, que não deu tempo de inaugurar. Afinal, são tantas realizações, tantos milhões!

E como tem jornalista maldoso, que não vê este paraíso chamado Dourados.

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