8.7 C
Dourados
domingo, maio 10, 2026

Economista Santiago Peña vence eleição no Paraguai e mantém o Partido Colorado no poder

Pai aos 17 anos e defensor da autointitulada 'família tradicional', novo presidente paraguaio reforça defesa de laços com Taiwan e China e é criticado por comentários sobre ditador Stroessner

- Publicidade -

Sorridente e simpático, o economista de direita Santiago Peña, eleito no domingo, por uma ampla margem, presidente do Paraguai, conseguiu manter o Partido Colorado no poder, apesar de suas fortes divisões, em meio a acusações de corrupção contra seus principas líderes.

Aos 44 anos, esta foi a primeira vez em que Peña participou de uma eleição nacional. Sua única experiência anterior havia sido em 2017, quando perdeu a indicação à Presidência nas primárias coloradas para o atual presidente, Mario Abdo Benítez.

Alto, de porte atlético, Peña é considerado um tecnocrata com uma brilhante carreira acadêmica, mas com pouca experiência política.

Sua entrada neste meio veio através do ex-presidente Horacio Cartes (2013-2018), hoje na lista de sanções dos EUA acusado de ser “significativamente corrupto”, mas que no passado o filiou ao Partido Colorado e o indicou ministro da Economia.

Quando querem atacá-lo, seus adversários o chamam de “secretário de Cartes”. Mas ele não parece se sentir afetado.

— É alguém muito sereno, impressiona sua tranquilidade — disse à AFP um de seus colaboradores.

Na sala de sua elegante casa em Assunção aparecem suas fotos ao lado da mulher, Leticia Ocampos, com quem se casou quando eram adolescentes, pouco depois de ela ficar grávida. Além desse filho, hoje com 26 anos, o casal tem uma menina de 17 anos.

— Fui pai aos 17 anos. Foi um momento duro na vida. Não foi planejado, mas me levou a construir [a vida] sobre os princípios muito sólidos do compromisso, responsabilidade, honestidade, integridade, do saber que tem gente que depende de você. E sem me dar conta, com 17 anos comecei a desenvolver a vocação do serviço — disse.

Peña relembra que as famílias dos dois os apoiaram e que seu padre o incentivou a continuar os estudos. Reconhece ainda o apoio de sua mãe e de seus dois irmãos mais velhos.

Dessa forma, conseguiu ir à Universidade Columbia, em Nova York, e trabalhar por algum tempo para o Fundo Monetário Internacional. Também fez parte da direção do Banco Central do Paraguai.

Durante a campanha, disse ter recebido “um grande apoio familiar”.

— Tenho um núcleo familiar maravilhoso que me acompanhou, que foi uma contenção durante todo esse período — disse à AFP.

Peña se diz contra a legalização do aborto porque parece para ele “o mais fácil, um atalho”. Também se diz decidido a defender a família “em sua composição tradicional: mãe, pai e filhos.”

No campo externo, Peña disse que vai preservar as relações com Taiwan, apesar dos questionamentos de setores produtivos, como a agroindústria e a pecuária, que exigem a abertura das exportações para a China.

Garantiu ainda que tem um “laço fraternal enorme com Israel”, e disse que pretende mudar novamente a embaixada do Paraguai para Jerusalém, uma medida que, seguindo o então presidente americano Donald Trump, Cartes tomou no final de seu governo, e que o atual presidente, Mario Abdo, reverteu.

Apesar de não ter apresentado um programa de governo, uma de suas principais promessas de campanha foi a criação de 500 mil postos de trabalho. E em um país que sofreu uma das mais longas ditaduras da América Latina, a de Alfredo Stroessner (1954-1989), foi criticado ao declarar que este levou a “estabilidade” ao país.

— Creio que Stroessner quebra o ciclo de instabilidade política — declarou. — Infelizmente fecharam o cerco, limitaram muitas liberdades e direitos humanos sob o pretexto da estabilidade.

AFP/Assunção

- Publicidade -
- Publicidade -
- Publicidade -

Últimas Notícias

Últimas Notícias

- Publicidade-