O ex-vice-governador Murilo Zauith não é daqueles que torcem para o circo pegar fogo, mas nunca esteve tão a cavalheiro como agora, quando o assunto é a sucessão municipal. Em Dourados e em outros municípios do estado, aí incluída a capital Campo Grande, pela capilaridade de sua liderança política. Mas é em Dourados onde ele está mais à vontade, o que fica claro na foto que ilustra esse texto, na padaria que é o maior ponto de fuxico da cidade. Não só por ser um dos principais nomes para a sucessão do prefeito Alan Guedes, quando não a principal referência, já que enquanto estiver atuante na política, não tem como alguma negociação político-partidária não passar por ele. Tanto que vira-e-mexe recebe em sua residência, em Dourados, lideranças do mais alto coturno, de todas as tendências partidárias, para um parecer político. Conhecido pelo seu estilo enigmático de mais ouvir do que falar, deixa os interlocutores sempre intrigados, já que costuma dialogar mais com uma Chapéu-de-Sol que faz sombra generosa em sua varanda do que, propriamente, com o visitante. Quando vai para as lanchonetes ou padarias para auscultar a pulsação popular, por meio de interlocutores como seu chegado José Nunes (presidente da UDAM (União Douradense de Associações de Moradores), deixa a esposa Cecília Grinberg de plantão. Mais pragmática que o marido, ela costuma falar algumas “verdades” aos visitantes que batem à sua porta, como fez recentemente, durante uma visita-desabafo do prefeito Alan Guedes.
PIB – O que deixa intrigados principalmente aqueles que andaram tripudiando no período que antecedeu ao calvário da COVID de Murilo Zauith, com aquela história de assume-não-assume o governo, é a incerteza quanto ao tamanho e ao tempo de duração da mágoa com toda a história e se ele irá à desforra. Até porque, embora de berço espírita, doutrina que adota a sigla PIB para alertar seus adeptos quanto à necessidade de perdão, indulgência e benevolência, Zauith, por razões mais afetas à sua condição empresarial, lê, também, muito sobre PIB, mas para acompanhar a quantas anda o produto interno bruto.
Terra e Paixão – Se não foi, vai ainda. Novidade para a sucessão do prefeito Alan Guedes, o herdeiro do grupo Campina Verde, Aurélio Rolim Rocha, está entre esses ilustres candidatos ao sofá de Murilo Zauith. No caso, devendo fazer uma triagem com dona Cecília. O moço, “da cozinha” da senadora bolsonarista Tereza Cristina, cujo homem de confiança em Dourados é o ex-vereador Sidlei Alves, também da cozinha dos Grinberg/Zauith, anda empolgado com o sucesso antecipado da novela global que estreia na próxima segunda-feira em horário nobre, filmada em suas terras, na região de Deodápolis. Lelinho, como é conhecido, parece só não ter noção do tamanho do estrago que o recall do escândalo envolvendo sua família por sonegação de impostos pode fazer numa eventual campanha.
Pela culatra – Empolgado com a reforma e ampliação do prédio da Câmara Municipal, o vereador Laudir Munaretto vinha, discretamente, costurando um consenso em torno de seu nome, como candidato à sucessão de Alan Guedes. Agora, com o estrago provocado pela licitação cheia de vícios, que emperrou a obra, Munaretto já revê planos e aceita, inclusive, ser candidato a vice. Do de preferência, de Lelinho Campina Verde.
Linguagem cifrada – A propósito da sinuca de bico em que se meteu, o presidente da Câmara Municipal, Laudir Munaretto, tentou explicar sua situação a um jornalista, durante entrevista coletiva para falar sobre o adiamento das reformas. Ao se referir ao valor da obra tanto questionado pela TV Morena, que faz cavalo-de-batalha com situação, o vereador gesticulou e cochichou números ao ouvido do interlocutor, dizendo que ou pagava a reforma ou a TV dos Zahran.
Renúncia coletiva – Enquanto isso, quem entende do riscado e acompanha de perto a administração do prefeito Alan Guedes acha que ainda há tempo para o jovem alcaide recuperar a popularidade perdida, mas que para isso precisa ser rápido no gatilho, com medidas – e principalmente entregas – de impacto. Enquanto não aparecem as salvadoras obras do Fonplata, medidas como, por exemplo, uma renúncia coletiva do secretariado, para que Alan Guedes fique à vontade para se cercar de gente mais experiente e mais competente.
Pior – Essas mesmas fontes garantem que o prefeito estaria encurralado e até sendo vítima de chantagem de alguns secretários, já convidados a se retirarem, mas que insistem em fazer ouvidos moucos. Por exemplo: Ana Paula Benitez. Para seu lugar já teria sido convidada a professora e sindicalista petista Deumeires Morais. Da mesma forma na Agricultura e Pesca, para a qual o ex-vereador Joaquim Soares, também ligado ao PT, já teria sido convidado para substituir Ademar Zanata.
Fogo amigo – Não é só o secretariado que fustiga Alan Guedes. Também entre aliados no Jaguaribe a coisa não anda boa. A recém-assumida vereadora Tânia Cristina, que trabalhava no gabinete do prefeito, foi à tribuna recentemente para baixar o porrete no ex-chefe. Neste caso pode-se atribuir as críticas à forte energia da deputada Lia Nogueira, cuja cadeira no Jaguaribe foi herdada pela radialista. Ou coisa de radialista mesmo, já que Tânia pode achar bonito também o que faz outro colega de microfone, Marçal Filho, que mesmo com um baita telhado de vidro insiste em denunciar as mazelas da saúde douradense.
