23/06/2009 – 09:06
Foto: Fábio Dorta
Azambuja e Zauith, dobradinha forte da Grande Dourados para o Congresso em 2010
Surpresa eleitoral em 1998, quando cativou o eleitorado com o didatismo de seu discurso mostrando a diferença entre um pé de manga e pé de jaca, o advogado Carmelindo Rezende não deve emplacar de novo como candidato ao Senado, apesar do esforço do camarada Roberto Freire, que vira e mexe dá uma passadinha pelo Mato Grosso do Sul para conferir quantos comunistas ainda sobrevivem por aqui. Para analistas, é mais um factóide, um saudosismo, apenas. Nada que atrapalhe o projeto do vice-governador Murilo Zauith de continuar sua caminhada rumo ao Senado.
O que restou de concreto do ato de lançamento do Bloco Democrático e Reformista (BDR) ontem na Assembléia Legislativa foi a demarcação de território contra o projeto de Lula de se perpetuar no poder, seja através do terceiro mandato ou com a ascensão da fada madrinha de André Puccinelli, Dilma Rousseff. Ali, cara a cara com o governador, os líderes nacionais de PSDB, DEM e PPS deixaram bem claro que não tem negócio com o PT, com quem o governador insiste em se aliar para tentar a reeleição. Se não tem apoio para aliança com o PT, está definido o jogo: é André versus Zeca. Caso André insista no projeto com o PT o BDR vai de candidato próprio. E tudo isso é muito bom para o projeto de Murilo Zauith, descartado por Puccinelli.
O deputado estadual e candidato a federal Reinaldo Azambuja (na foto, com Zauith), figura exponencial no PSDB e que apita muito mais na política do Mato Grosso do Sul que o pernambucano Roberto Freire, resumiu a conversa ontem na Assembléia: “a candidatura Murilo é unanimidade neste bloco”.
A propósito, sobre a performance de Carmelindo Rezende naquela eleição em que foi a grande atração, disputando no palanque vencedor de Zeca do PT, é bom relembrar os números: ele perdeu para Juvêncio da Fonseca (384 mil votos), chegando perto dos 240 mil votos, e assim mesmo porque os demais concorrentes eram figuras folclóricas como o Bafo de Bode, de Dourados e um tal de Monje. Só como parâmetro, ainda, o último “douradense” a disputar o Senado, Egon KKK, bateu na trave em 2006, com 456 mil votos, sendo mais votado que o candidato a governador que encabeçava sua chapa, o senador Delcídio do Amaral, que obteve 450 mil votos contra Puccinelli.
Para ser didático, tal qual Carmelindo em 1998, politicamente ele é uma bananeira que já deu cacho.
