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sexta-feira, julho 3, 2026

Governo de Valdecir acaba antes de começar

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07/07/2009 – 17:07

O delegado Bráulio Galone, que conduz o inquérito da operação Owari, que acaba de trancafiar políticos e empresários douradenses e da região, informa que o rombo da quadrilha é de cerca de 20 milhões de reais, proveniente de monopólio de prestação de serviços públicos através da corrupção de servidores, com fraudes em licitações. O prefeito Ari Valdecir, com seu vice-prefeito Carlinhos Cantor, boa parte do secretariado, mais seu líder na Câmara entre os detidos tem, a esta altura do campeonato, uma única saída: demitir o que restou do secretariado e montar um novo gabinete, de preferência, com todas as forças políticas do município, independente de partidos e tendências ideológicas. É o chamado governo de coalizão. Isso, se ele também não for parar na cadeia em decorrência do desdobramento do processo, cujas investigações começaram há dois anos. Segundo um advogado que acompanha os depoimentos, as gravações em poder da polícia são “nitroglicerina pura”, numa referência à frase famosa que marcou o início da derrocada do governo Collor de Melo.

Esta é a única chance de sobrevida de Valdecir. Caso insista em manter o que restou do time, seu governo acaba por aqui, desacreditado e desmoralizado, já que a espinha dorsal de sua equipe está na cadeia – a oficial e a paralela.

Como imaginar o governo Valdecir sem o jeitoso e ensaboado Darci Caldo, que veio de Campo Grande exatamente com a missão de “conferir a fatura” de um forte grupo empresarial que ajudou na campanha? E sem Márcia Fagundes, a assessora tida como eminência parda, a única que põe freio no espevitado Valdecir? Pior, sem Dudu Uemura, a jovem promessa da família Uemura, que é quem realmente dava as cartas “por fora”. Será que quando saírem da cadeia terão condições de subir a rampa do CAM, construída por Humberto Teixeira, cujo filhote e líder de Valdecir na Câmara (Juninho Teixeira), faz companhia a eles no mesmo xilindró?

As previsões sempre foram as mais distintas em relação à sobrevida do fenômeno Valdecir como prefeito: seis meses; um ano ou o tempo que fosse necessário para o vice Carlinhos Cantor ter condições de assumir o cargo; até à consolidação como liderança; à reeleição e daí para voos mais altos, para o Senado e até para o governo do Estado. Pelo jeito, venceram as mais pessimistas. Acabou, antes de começar. No sétimo dia, do sétimo mês.

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