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sexta-feira, julho 3, 2026

Crise no Senado favorece Murilo

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07/08/2009 – 17:08

Foto: Anita Tetslaff

Assisti parte da sessão de ontem do Senado Federal em companhia do vice-governador Murilo Zauith. Mais especificamente, a parte em que o senador Renan Calheiros (PMDB/AL)leu uma representação denunciando o líder tucano Arthur Virgílio ao Conselho de Ética, por falta de decoro parlamentar. Quando acabou o enfadonho, porém sarcástico e irônico discurso em que Calheiros tentou se colocar como novo menestrel das Alagoas, na verdade uma estratégia para desviar a atenção do foco da crise que envolve o presidente da Casa, José Sarney (PMDB/AP), já era fim de tarde. Murilo desvia um pouco a atenção da tela da TV, para falar das últimas pedras mexidas no tabuleiro do jogo político que poderá conduzi-lo ao mesmo Senado, quando o pau come em plenário:

“Vossa Excelência não aponte esse dedo sujo para mim” – bradava o senador cearense Tasso Jereissati, levantando-se, também dedo em riste, em direção a Renan Calheiros. “Dedo sujo é o seu, coronel de merda”, retrucou Renan. Entra o pessoal do “deixa disso”. Sarney suspende a sessão.

Diante de tanta baixaria, com o senado chegando ao fundo do poço, quis saber de Murilo, homem polido e discreto, se tem certeza de que quer ir pra lá. Ele esticou os olhos para a margem do Laranja Doce, onde sua majestade o sabiá ensaiava uma sinfonia, não com pardais, mas com as saracuras, limitando-se a perguntar como estava vendo a atuação dos três senadores do Mato Grosso do Sul neste episódio. Respondi que não estava vendo, ao que ele arrematou, depois de um bocejo: “é, não tem mais volta”. Ou seja, Dourados vai ter seu candidato a senador.

Um dia antes o senador Sérgio Guerra (PSDB/PE) havia dito que a crise no Senado só se resolverá nas urnas, em 2010, prevendo que toda esta balbúrdia levará a uma grande renovação na mais alta casa de leis do país.

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