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O negócio da saúde e suas eternas demandas

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02/10/2009 – 10:10

Quando fiquei sabendo ontem da morte da professora Maria do Rosário Moreira, irmã do ex-prefeito José Elias, depois de pedir a Deus que a acolha e conforte sua família, vislumbrei em minhas reflexões, debaixo de meu pé de jabuticaba, a figura simplória de seu marido, também falecido, o médico José Sechi. É que o luto da família de um dos políticos que mais fez por Dourados coincide com um dos momentos mais tristes da saúde da população, quando até soro fisiológico falta em postos de saúde, uma consequência da política equivocada e irresponsável do prefeito que garganteou em palanque que essa seria sua grande prioridade.

José Sechi assumiu interinamente a secretaria de saúde do município em janeiro de 1983, já que o secretário indicado pelo prefeito Luiz Antonio Gonçalves, o médico Paulo Ajax Rolim, tinha um vínculo com o ministério da Saúde e não podia assumir de imediato. Ajax não conseguiu se desvencilhar do cargo federal e Sechi ficou seis anos como interino. Nem por isso houve estrangulamento no setor, nenhuma notícia de mau atendimento, nenhum escândalo, nenhuma falcatrua, enfim, ninguém foi parar na cadeia. E as demandas eram as mesmas; o povo já ficava doente naquela época. Pior, não havia repasse constitucional para a saúde, como hoje, quando chove milhões e milhões para a prefeitura e hospitais conveniados.

O prefeito Laerte Tetila costumava dizer que quanto mais os governos investem em saúde mais demanda o setor apresenta. Ou seja, quanto mais hospitais, mais médicos e mais equipamentos, mais gente doente. Não era só uma forma de tentar justificar os problemas de sua administração nesta área, mesmo diante de tantos investimentos. Era a constatação das complicações do setor mais intrincado da administração e que mais requer zelo e planejamento. Por coincidência, dois requisitos que Tetila e de Luiz Antônio não abriam mão, talvez pelo fato de ambos serem oriundos do magistério.

Agora imagine o caro internauta. Se Luiz Antonio de tão zeloso e comedido que era limitou-se a efetivar o secretário interino, para evitar maiores turbulências, e Tetila, com todo planejamento, deixou tantas interrogações, será que o Valdecir, já no terceiro secretário, vai, para dizer o mínimo, conseguir organizar a casa? Pelo jeito, hoje, o problema é o excesso de dinheiro, não a falta, como antigamente.

 

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