09/10/2009 – 11:10
Fora do mapa, os senadores de Campo Grande: Valter Pereira (1), Marisa Serrano (2), Antonio João (3), Juvêncio da Fonseca (4), Lúdio Coelho (5) Levy Dias (6), Wilson Martins (7), Pedrossian (8) e Mendes Canale (9); os pantaneiros Delcídio do Amaral (10), Fragelli (11) e Pedro Ubirajara (12); Marcelo Miranda (13) e Ramez Tebet (14), representantes do Bolsão e Saldanha Dérzi (15), pela Fronteira.
Como a máxima popular “nada se cria, tudo se copia”, inspirada no conceito do químico francês Lavoisier “na natureza nada se perde, tudo se transforma” é a tábua de salvação dos folgados que preferem o plágio à queima de neurônios, Dourados bem que poderia aproveitar a ideia de Carlos Arthur Nuzman, presidente do Comitê Olímpico Brasileiro, e trabalhar com este mapinha aí de cima para tentar emplacar seu senador, já nas eleições de 2010. Como o mapa de Nuzman, mostrando o continente europeu congestionado de sedes olímpicas foi decisivo para sensibilizar os integrantes do Comitê Olímpico Internacional para trazer as Olimpíadas para o Brasil, quem sabe o eleitor olhando mais atentamente para o mapa do Mato Grosso do Sul e seus representantes no Senado nestes 32 anos se compadeçam da região da Grande Dourados e mandem para lá também o seu representante.
Nem mesmo a divisão do Mato Grosso e a consequente ampliação dos espaços políticos possibilitaram à região a transformação desse sonho em realidade. Em duas ocasiões, apenas, Dourados disputou com candidatos competitivos – João Totó Câmara, em 1986, jogado às feras (Wilson Martins e Rachid Dérzi, os eleitos, mais Pedro Pedrossian, o grande derrotado), e Egon Karackheck, que nas últimas eleições conseguiu 40% dos votos, contra Marisa Serrano, sendo mais votado que o candidato a governador de seu partido, Delcídio do Amaral. Fora isso, emplacou três suplentes, mas que nunca tiveram a chance, sequer, de conhecer o tão famoso salão azul do Congresso Nacional. Albino Mendes ficou oito anos com o terno no armário, acreditando numa promessa de Flávio Dérzi quanto a uma licença de Levy Dias. E olha que ele era o segundo suplente; teriam que inventar alguma coisa para ocupar Ayres Marques, o primeiro suplente, de Ponta Porã. Celso Dal Lago a mesma coisa. Havia um compromisso de André Puccinelli, à época prefeito de Campo Grande, de fazê-lo senador por pelo menos quatro anos, com a vinda de Juvêncio da Fonseca para o governo do Estado. Como Juvêncio foi ficando, ficando e gostando cada vez mais do cargo, André garantiu a Dal Lago que ele assumira pelo menos dois anos, pois ele faria Juvêncio prefeito de Campo Grande. Celsão, que nem para a posse do companheiro de chapa havia sido convidado, depois de ter contribuído generosamente com a campanha, diferentemente de Albino Mendes, nem arriscou a comprar o terno. Pior o que aconteceu com Eduardo Marcondes. Na primeira chapa montada para Ramez Tebet, aparecia como primeiro suplente; a mulher de Puccinelli, Bete, era a segunda suplente. Como a candidatura dela foi impugnada, Marcondes, que, automaticamente deveria pular para primeiro suplente, cedeu o lugar a Valter Pereira. Foi quando Dourados jogou sua grande chance de ter um senador pelo menos por quatro anos.
Mais sorte tiveram suplentes de outras cidades: Antonio Mendes Canale que já adentrou a história do Mato Grosso do Sul como senador eleito pelo Mato Grosso uno, em companhia de Rachid Saldanha Dérzi, voltaria, aí para representar o novo Estado, com a eleição do senador Marcelo Miranda para o governo do Estado. O aquidauanense José Fragelli, que havia sido governador do Mato Grosso, ganhou sete anos de Senado na bandeja, e ainda por cima foi presidente do Congresso, quando o senador Pedro Pedrossian desembestou para vir governar Mato Grosso do Sul por apenas dois anos. Ainda de Aquidauana, o bom médico, mas obscuro político, Pedro Ubirajara também sentiu o gostinho do Senado no curto período em que o titular, Ramez Tebet, esteve Ministro da Integração Nacional. E o jornalista Antonio João Hugo Rodrigues, de Campo Grande, passou à história como senador, por quatro meses, durante a licença do senador Delcídio do Amaral para a disputa do governo do Estado.
Com esta tacada olímpica – Murilo Zauith já está com o pé na estrada – quem sabe Dourados deixe de figurar no mapa dos senadores do Mato Grosso do Sul apenas com o verde da esperança.
Ps. Lead alterado (17h57, de 10/09) por erro de informação.
