24/10/2009 – 12:10
Quando, no início da década e 1990, o ex-vereador Archimedes Lemes Soares (o Ferrinho), foi preso, por um problema com cheque sem fundos, eu coordenava o jornalismo da TV Morena em Dourados. Já tinha alguma influência na emissora, onde havia passado em vezes anteriores, como repórter e diretor de jornalismo no Estado. Ferrinho já era, à época, um de meus melhores amigos. A TV Morena foi o primeiro veículo a dar a notícia, inclusive com imagens dele chegando algemado num camburão ao antigo presídio do Jardim Flórida.
Depois disso, bem depois, quando o empresário Roberto Razuk foi preso, por causa de um rolo com umas áreas dadas como garantia num empréstimo ao Banco do Brasil, eu estava fora da imprensa. O Brasil inteiro deu a notícia, Jornal Nacional, da Rede Globo, inclusive. Até com certa insistência, por coincidência, num ano eleitoral, em que Razuk era forte candidato a voltar à Assembléia Legislativa. O jornal O Progresso, o tradicionalíssimo, demorou quinze dias para entrar no caso. Escondeu o quanto pôde a notícia. Quando Fernandão Rocha e Cia. foram presos, a mesma coisa.
Voltando à TV de seu Zahran, quando diretor de jornalismo, vivi duas experiências que dão bem a dimensão desta relação patrão-chefe de redação ou coisa que o valha. Um dia me liga Ueze Zahran, o todo poderoso, recomendando-me tomar cuidado com uma matéria que nossa equipe havia feito na fronteira, pois envolvia alguns de seus familiares. Antecipei que seria muito difícil não dar a notícia, pois se tratava de uma bronca daquelas. E ele: “Se a coisa é feia assim, põe no ar e se alguém te ligar reclamando, diga que não me encontrou”. Na outra situação, quando saiu a primeira chamada do MS 2ª. Edição, mostrando uma bronca com um empresário de Aquidauana e o fisco, liga-me Jorge Zahran, assustado porque o dito cujo era um grande amigo dele, e recomendando, também, para medir as palavras. Terminado o jornal, toca o telefone e, de novo, seu Jorge. A matéria tinha sido pesada. Preparei o pote de vaselina. Mas o telefonema (ufa!) era para cumprimentar a equipe pela lisura nas informações e para lamentar que seu amigo tivesse se excedido nas falcatruas.
Agora operação Owari/Brother. Bem, depois da edição de ontem do Diário MS, dirigido pelo professor de jornalismo Alfredo Barbara Neto (que podia ter dormido sem aquela do Russo, aqui no blog) , não há mais nada o que comentar. Verdadeiro escárnio, como muito bem colocou um internauta aqui no blog. O leitor, que é sábio, já deve ter formado seu juízo.
Continuo tomando cerveja com Archimedes Ferrinho, uma das amizades mais sólidas que construí. A mesma coisa com Roberto Razuk.
Por essas e por outras é que o chefe do mensalão e agora blogueiro José Dirceu tenha questionado recentemente por que os blogs assustam tanto. E não fica difícil entender por que também tem muito jornal por aí indo pro brejo.
