02/11/2009 – 10:11
Há muito tempo que, pelo tom direitista adotado em sua linha editorial, a revista Veja deixou de ser bom exemplo a jornalistas, principalmente àqueles que se propõem ao trabalho isento. Mas na edição desta semana ela traz uma boa lição, não só aos jornalistas que teimam na arte da bajulação ou que exageram nas metáforas como forma de burlar os princípios básicos da boa informação, mas, principalmente aos dirigentes da combalida e reacionária mídia impressa local. O gancho do texto com o título “Más notícias, presidente” é a tentativa de Lula de pautar jornalistas durante um evento com catadores de papel em São Paulo.
Depois de uma rápida pincelada nos regimes latino-americanos que tratam a imprensa como inimiga, com destaque para Hugo Cháves, da Venezuela, Evo Morales, da Bolívia e Rafael Corrêa, do Equador, Veja escreve que “não existe jornalismo a favor. Não existe jornalismo feito pelo estado. Não é atributo do Poder Executivo traçar limites para o exercício da imprensa. A liberdade de expressão não pertence ao universo oficial gabinetes executivos, não tangencia os planos de governo e não obedece às orientações dos ministérios da propaganda. Seus limites estão estabelecidos na Constituição e eternizados na cultura dos países democráticos. Os próprios leitores e a Justiça punem os jornalistas que ultrapassam os limites éticos”.
O texto de Veja – curto e grosso – vem bem a calhar nestes tempos de Owari e Brothers, quando jornais escondem escandalosamente a notícia, menos aquelas dando conta das atitudes amalucadas de um prefeito que, pior do que Lula, não só pauta como exige seus feitos publicados dia sim outro também, independentemente de ser ou não notícia, sempre com chamadas de capa, e, o que é pior, com fotos da belezura.
