15/11/2009 – 12:11
Foto: Slogan
Medeiros e Wilson Martins, em noite de autógrafos.
Sempre tive muita dificuldade para me relacionar com Henrique Medeiros, o jornalista, publicitário, poeta e presidente do Sindicato das Agências de Publicidade do Mato Grosso do Sul. E por uma razão, apenas: embora de uma simplicidade oceânica, tímido, até, Medeiros é sujeito de fino trato, excessivamente educado, o que, evidentemente, não combina com a falta de modos de alguém pego a laço por Theodorico Luiz Viegas ali no Jaguapiru para compor textos tipográficos através dos quais se enveredaria na lida jornalística. Se ele se parece tímido, garanto que sou caipira mesmo, embora alguns insistam em achar que sou mesmo é arrogante.
Conhecemo-nos na efervescência das disputas políticas que marcaram a criação do Mato Grosso do Sul, dividindo uma salinha no Edifício das Repartições Públicas, o ERP, sede do primeiro governo do novo Estado, no final da década de 1970. Talvez pelo atropelo do dia-a-dia da vida de assessores de imprensa e pela diferença de estilos, ele mais pensador, mais meticuloso nas palavras e na escrita; eu mais pragmático e mais polêmico nas questões políticas, nunca pudemos dar aquela sentadinha para uma boa prosa, embora ele sempre reitere o convite, para um cafezinho que seja.
Depois de trinta anos de um oi aqui outro acolá, eis que Henrique Medeiros aquiesce ao convite para lançamento de meu livro “Sonhos e Pesadelos”, ali no mesmo ERP. Isso, dois anos atrás. E ainda o coloquei numa baita saia justa, pedindo para que dissesse umas palavrinhas, mesmo sabendo de sua quase ojeriza pelas coisas da política. Mas ele falou, educadamente, e bonito, como sempre.
Agora, chega minha vez de retribuir a cortesia. Vem o convite dele para o lançamento, não de um, mas de três livros de poemas. E mais um furo com meu amigo. Não que não quisesse lá estar, mas por um desses inexplicáveis desvios de rota. Vendo as fotos de sua noite de autógrafos, fica o lamento, também, pelo tanto de amigos que deixei de rever e de abraçar.
Mas Henrique Alberto de Medeiros não é de perder a fleuma por pouca coisa. Se mostra sempre grande, nos gestos e nas atitudes. Um gigante, agora, pelo esmero e pelo carinho com que trata as letras, fazendo jus à sua origem, honrando e dignificando sua velha Corumbá, o berço da literatura do Mato Grosso do Sul. Se Maomé não vai à montanha a montanha vem a Maomé. Guardadas as devidas e infinitas proporções, cá estou, empanturrando-me gostosamente com os poemas de Medeiros, nos três livros devidamente autografados que carinhosamente me mandou esta semana. Assim, vou poder ver o azul invisível do mês que vem, contemplando a pirâmide de palavras tão bem esculpidas, no melhor estilo Manoel de Barros, para que (enfim) as dores se transformem em cores.
Como diria o poeta campo-grandense mais douradense que ninguém, o Alcodan, assim foi, assim é, assim será.
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