15/12/2009 – 09:12
Foto: Anita Tetslaff
O problema é que com o Valdecir não tem esse negócio de “farinha pouca meu pirão primeiro”. Ele quer sempre muito, muito mais. Por isso, poderia muito bem ter se limitado a aumentar o IPTU dentro daquilo que é considerado normal, como fez o prefeito Nelsinho Trad (apenas 8%) em Campo Grande, e fim de papo. Além de querer faturar muito, ainda quis tirar o dele da reta, deixando o abacaxi com a Câmara de Vereadores. Mas, graças à pressão popular, movida por alguns veículos alternativos de comunicação, principalmente da mídia online, tudo foi por água abaixo.
Assim, a última sessão ordinária do ano, da Câmara Municipal, ontem à tarde, foi de dar dó. Desenxabidos, vereadores da base aliada tentavam justificar o injustificável. Agora, depois que o tiro saiu pela culatra, todo mundo é contra o aumento de IPTU. Como se fossemos um bando de idiotas. A sorte deles é que a audiência do “canal” de TV que transmite as sessões tem traço de audiência, coisa aí de 50 a 100 telespectadores – e olhe lá! – porque, se tanta asneira fosse transmitida por uma TV de verdade, estariam fritos.
O vereador democrata Paulo Bambu, acertadinho com o Valdecir, chegou ao disparate de dar uma aulinha para explicar o quão difícil é ser prefeito. Edvaldo Moreira, que não deu conta de tocar a secretaria de Saúde, disse que é muito difícil ser vereador, criticando a falta de ética da imprensa. O veterano e sempre escaldado José Carlos Cimatti, disse que realmente a coisa (o IPTU) não estava muito clara. Tio Júlio, coitadinho (até ele falou!), disse que não dormiu por causa da panfletagem que colocou todo mundo no mesmo balaio, cabendo ao líder do prefeito, Jr. Teixeira, a pérola do dia, ao dizer que os vereadores não são anarquistas, numa referência aos manifestantes que tem lotado o plenário, e que o recuo do prefeito foi uma decisão “madura”.
Pior foi assistir ao também democrata Gino Ferreira tentando se justificar por sua visitinha a Alziro Moreno para se convencer de que os critérios de aumento do IPTU estavam corretos. E para completar a titica, dizer que a pressão popular não importa.
E para quem pensa que tudo está acabado, a vereadora peemedebista Délia Razuk (foto) foi à tribuna para, depois de lamentar pelo ocorrido, alertar que o prefeito ainda pode aumentar o imposto, sem autorização da Câmara, bastando para isso recorrer ao artigo 186 da lei 2820, de dezembro de 2005, que alterou a tal planta de valores genéricos, que prevê aumentos “com base em estudos, pesquisas sistemáticas de mercado e análises respectivos”. Ou seja, aumento que a população aguente pagar, dentro do razoável e não aquele que despertou a cobiça do Valdecir e de sua turma. Aumenta, mas aguenta o tranco sozinho.
Pelo menos, depois de mais uma lamentável trapalhada do Valdecir, que fique a lição: respeito é bom e o povo gosta.
