27/12/2009 – 12:12
Foto: Divulgação
Escolhi esta foto, distribuída pela assessoria do PT, porque é a que melhor traduz o dilema do partido para 2010. Com um detalhe: este “aperto” de mãos aí foi no dia do lançamento da candidatura de Zeca do PT ao governo do Estado, agora na primeira quinzena de dezembro, em Campo Grande, com o “apoio” do Senador Delcídio do Amaral. Isso, depois de um ano de brigas intestinas pelo comando do partido, tendo como pano de fundo, evidentemente, a disputa eleitoral do ano que se aprochega.
Atentem bem para a distância, literalmente, das duas principais estrelas petistas. Embora de perfil, dá para perceber nitidamente a sisudez de titio Zeca, na vã torcida de um forte e afetuoso abraço do senador. E a sengraceza – e o sorriso amarelo – de Delcídio?
Embora Zeca do PT jure de pés juntos, inclusive aqui no blog, que sua candidatura não tem retorno, fica o dilema: o partido vai para o confronto, correndo o risco de perder, como ele mesmo admite, não só o governo, como também a vaga do próprio Delcídio do Amaral no Senado, ou arruma uma boa desculpa para embarcar, finalmente, no projeto nacional do presidente Lula? A sobrevida do PT com José Serra no Palácio do Planalto passa por uma forte bancada no Congresso Nacional, principalmente no Senado, e é nisso que pensa uma corrente do partido, que prefere fazer dois senadores, no palanque de Puccinelli e, de sobra, assegurar, pelo menos no MS, um palanque forte para a burocrata Dilma Rousseff.
Para Zeca do PT, pior que o bombardeio verbal de André Puccinelli ou enfrentá-lo nas urnas é o fogo amigo, já que o ânimo de Delcídio do Amaral para apoiá-lo deverá continuar como o estampado na foto.
Nem mesmo a ligeira elevação no tom das críticas do senador corumbaense em relação ao governador, nos últimos dias, faz a companheirada acreditar que isso seja pra valer.
Acontece que Delcídio sabe do enorme bem-querer de Lula da Silva por Zeca do PT e o quanto isso pode ajudar o ex-governador, embalado na popularidade do presidente, a voltar ao Parque dos Poderes, de onde seria difícil tirá-lo nos próximos oito anos. Eis a questão. Delcídio quer ser governador e não lhe passa pela cabeça esperar muito. Aposta todas as suas o fichas na síndrome do segundo mandado, acreditando que por mais gás que tenha para chegar inteiro em 2014, Puccinelli terá que se desincompatibilizar nove meses antes para disputar o Senado, deixando, pelo menos oficialmente, o caminho livre para que tente a sorte grande.
Diferentemente de Zeca do PT, que tem grandes amigos, como o presidente Lula, Delcídio não cultiva o hábito das boas amizades, além de não estar nem aí para os companheiros.
