29/12/2009 – 19:12
Escrever, com todas as letras, eles não escreveram, mas, como para quem sabe ler um pingo é letra, nem é preciso queimar muitos neurônios para se deduzir que, para o Diário MS, a prefeitura de Dourados já está quebradinha da silva. E só mesmo astúcia do quase jurássico João Carlos Maca Torraca, que assina com Alfredo Barbara a coluna “De Olho”, para escarafunchar o baú das metáforas e assim poder trazer a público, mesmo que por vias tortas, aquilo que o bom jornalismo recomendaria como manchete de primeira página.
Foram doze tópicos na concorrida “De Olho” de hoje. Seis para falar da quebradeira de prefeitura “de grande cidade da região”; outros seis dedicados às lamúrias do prefeito Valdecir quanto à herança deixada pela administração petista do professor Tetila e quanto aos sonhos dos milhões prometidos pelos deputados e pelo governo do mesmo PT. Uma coisa completa a outra. É só uma questão de encaixe.
O velho Maca começa dizendo que “passarinho sem cor definida piou de longe que prefeitura de grande cidade da região pode ter dificuldade para fechar as contas de 2009. O déficit seria superior a R$ 8 milhões”. No segundo tópico ele informa que “a dificuldade financeira momentânea poderia, inclusive comprometer a folha salarial de dezembro e até mesmo a quitação integral do 13º salário dos barnabés”, acrescentando – aí dando pinta de que fala da própria empresa jornalística – que “tem fornecedor da dita prefeitura que ficou de cara, pois contava com pagamento para saldar a folha de salários dos seus funcionários”.
Na sequência, “De Olho” dá uma disfarçada, tentando generalizar, dizendo que “a situação de muitas prefeituras país afora é realmente crítica” e que “alguns administradores ainda não aprenderam que o segredo de contas públicas é nunca gastar mais do que arrecada”, para, em tom pessimista, usando como título do tópico a sigla TNT, dizer que “pior de tudo é quando as dívidas começam a acumular. Aí fica inviável. E pode explodir a qualquer momento”.
Coincidência ou não, o vice-prefeito Carlinhos Cantor, que tomou chá de sumiço depois das operações Owari/Brother, reapareceu ontem, no micro-blog twitter, para dizer que faltou humildade ao prefeito Valdecir para reconhecer suas limitações, que são muitas as cobranças da sociedade, e que é preciso baixar o custo da folha de pagamento de funcionários, de cerca de R$ 11 milhões, “um absurdo”, segundo ele, por consumir quase 50% da arrecadação, informação que está também no Diário MS, mas que não é atribuída ao vice e pastor Cantor.
Bem, se o Diário MS, jornal da cozinha do Valdecir, escreve isso com tanta propriedade, e o vice-prefeito começa a colocar as asinhas de fora é porque o bicho está pegando mesmo. Surpresa, aliás, diante de tanta trapalhada, seria se tudo estivesse fluindo normalmente. Mas nada que o voluntarismo do grande operador Darci Caldo e de outros brothers destronados não dê jeito. O único problema, para o Valdecir, é romper 2010 não mais contando com o providencial silêncio da especialíssima Márcia Geromine, abatida em plena decolagem, também na pista da Owari, pela artilharia do delegado Bráulio Galoni.
O ano novo, como se vê, promete muitas, e grandes emoções.
