16/01/2010 – 19:01
Foto: Anita Tetslaff
O governador em exercício, Murilo Zauith, assinando, em Dourados, ordem de serviço para a ampliação da estação de passageiros do aeroporto Francisco de Matos Pereira.
Os interinos, seja na Presidência da República, nos Governos dos Estados ou nas prefeituras, normalmente pouco ou quase nada podem fazer, a não ser cumprir a rotina de assinatura de atos administrativos menores para que a máquina siga seu curso normal. A menos que nesses períodos de ausência dos titulares aconteça alguma calamidade ou no caso de vacância mais prolongada. Foi assim com Aureliano Chaves, que se notabilizou como Presidente da República em exercício, imprimindo seu próprio ritmo de trabalho, durante a ausência do general-presidente João Figueiredo para tratamento de saúde nos Estados Unidos.
Mais tranquila ainda é a interinidade nos casos de governantes centralizadores, desses que escondem a chave do cofre quando viajam e, para completar, quando o substituto é desprovido de vaidades, companheiro ao extremo, que sequer usa o gabinete do titular, para evitar constrangimentos. É o caso de André Puccinelli e seu vice Murilo Zauith.
Sobre a interinidade de Zauith que acabou ontem, com o retorno de Puccinelli, apenas algumas observações, pelas circunstâncias do momento político em que aconteceu. Se Zauith tinha a intenção de aproveitar a vitrine política para aumentar sua visibilidade, às vésperas do período eleitoral, ferrou-se, pois todas as atenções estiveram voltadas para o litoral Sul do País, onde Puccinelli e titio Zeca do PT, no que dessem um passo em falso na areia poderiam se esbarrar, já que escolheram o mesmo destino. E a confusão estaria armada, pelo tanto que bateram boca durante todo o 2009. Malsucedida também foi a tentativa de fazer o governo funcionar por um dia em Dourados. Valdecir, sempre ele, e Geraldo Resende, roubaram a cena, quase saindo no tapa, restando ao oceanicamente paciencioso Murilo apaziguar a briga entre o prefeito mal educado e o deputado encrenqueiro.
Se não valeu por isso, pelo menos Murilo Zauith continuou seu périplo na messiânica caminhada rumo ao Senado da República. E, assim, paralelamente à agenda como governador em exercício, continuou seu flerte com lideranças políticas – prefeitos, principalmente – e com a classe produtora, à qual fez um afago para diminuir a chiadeira quanto à pesada carga tributária, dizendo que o homem do campo nada pede ao governo, a não ser estrada para escoar sua produção, merecendo, por isso, um pouco mais de atenção.
Como Zauith só pensa naquilo, ou seja, na cúpula emborcada do Congresso Nacional e, sabendo que para chegar lá o melhor é ir de avião, de preferência sem pegar a mesma conexão de Delcídio do Amaral, de Waldemir Moka, de Carmelindo Rezende e outros, a assinatura da autorização de serviço para a ampliação da estação de passageiros do aeroporto de Dourados foi de uma simbologia ímpar. Com tudo nos padrões da Agência Nacional de Aviação (Anac), depois da pista ampliada, e a promessa de voos diretos para São Paulo (de onde é mais fácil conexão com Brasília), tudo trabalho de Zauith, é só seguir a direção apontada pela biruta do eleitorado. E, no que depender dele, desta vez Dourados decola de vez rumo ao Senado.
