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quinta-feira, janeiro 22, 2026

Trump confirma ‘ataque de grande escala’ à Venezuela e diz que Maduro foi capturado

Presidente americano não informou, no entanto, para onde o líder venezuelano foi levado nem sob qual base legal ocorreu a captura

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O presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou neste sábado que forças americanas realizaram um “ataque de grande escala” contra a Venezuela e capturaram o líder chavista, Nicolás Maduro, e a esposa dele, Cilia Flores, no ápice da escalada militar americana contra o país sul-americano desde o início da campanha de pressão iniciada em outubro. Bases militares em Caracas e ao menos outros três estados foram bombardeadas, segundo fontes venezuelanas, sem que haja um balanço inicial de vítimas civis e militares. O republicano afirmou que Maduro e Cilia foram retirados do país, enquanto a procuradora-geral dos EUA, Pam Bondi, antecipou que ambos serão julgados em território americano por denúncias que incluem narcoterrorismo. Mais detalhes serão apresentados em uma coletiva de imprensa marcada para às 11h (13h em Brasília), em Mar-a-Lago, na Flórida.

“Os Estados Unidos da América realizaram com sucesso um ataque de grande escala contra a Venezuela e seu líder, o presidente Nicolás Maduro, que foi, juntamente com sua esposa, capturado e retirado do país. Esta operação foi realizada em conjunto com as forças de aplicação da lei americanas. Mais detalhes em breve. Haverá uma coletiva de imprensa hoje, às 11h [13h em Brasília], em Mar-a-Lago. Agradeço a sua atenção!”, escreveu Trump em uma publicação em seu perfil na Truth Social.

Trump confirma 'ataque de grande escala' à Venezuela e diz que Maduro foi capturado
O USS Gerald R. Ford, o maior porta-aviões do mundo, visto no Mar do Norte, antes de se dirigir ao Caribe para reforçar as operações americanas contra embarcações de traficantes de drogas – Foto: Alyssa Joy/U.S. Navy via Getty Images

Em uma breve entrevista ao New York Times, minutos após a publicação da rede social, Trump comemorou o “muito bom planejamento” para a missão e as “tropas e pessoas excelentes” que estiveram na linha de frente, classificando como uma “operação brilhante”. Por telefone — em uma chamada que durou 50 segundos, de acordo com a reportagem —, o presidente se negou a dizer se recebeu autorização do Congresso para agir, e disse que novos detalhes seriam divulgados apenas na coletiva de imprensa.

Vídeos que circulam nas redes sociais mostram helicópteros das Forças de Operações Especiais dos EUA sobrevoando Caracas durante a madrugada de sábado, enquanto múltiplas explosões iluminam o céu da capital venezuelana. Segundo relatos não confirmados, as aeronaves seriam helicópteros CH-47G Chinook, projetados para operações secretas, e teriam atuado durante ataques que, segundo o governo venezuelano, atingiram os estados Miranda, Aragua e La Guaira, além de Caracas.

Ao menos sete explosões e ruídos semelhantes ao sobrevoo de aviões foram relatados por volta das 02h (03h em Brasília), em Caracas. De acordo com fontes locais ouvidas pelo GLOBO, alguns dos alvos seriam a base militar de La Carlota, da Força Aérea venezuelana, e o Forte Tiuna, maior complexo militar do país. Outro alvo do ataque foi o Quartel da Montanha, mausoléu onde está enterrado o ex-presidente Hugo Chávez.

Oficiais do Exército americano ouvidos pela emissora CBS News afirmaram que a captura de Maduro teria sido realizada por integrantes da Delta Force, principal unidade de missões especiais do Exército. A unidade esteve a frente de missões como a morte do ex-líder do Estado Islâmico Abu Bakr al-Baghdadi, em 2019.

O paradeiro de Maduro e Cilia não foi revelado pelas autoridades americanas inicialmente — o que fez a vice-presidente venezuelana, Delcy Rodríguez, exigir uma prova de vida por parte de Washington. Em paralelo, interlocutores do governo americano afirmaram que o objetivo da captura do líder chavista seria levá-lo para julgamento em território americano.

“Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, foram indiciados no Distrito Sul de Nova York. Nicolás Maduro foi acusado de conspiração para narcoterrorismo, conspiração para importação de cocaína, posse de armas automáticas e dispositivos de destruição, e conspiração para posse de armas automáticas e dispositivos de destruição contra os Estados Unidos. Em breve, eles enfrentarão toda a força da justiça americana em solo americano, em tribunais americanos”, afirmou a procuradora-geral dos EUA, em uma publicação na rede social X, referindo-se ao casal como “supostos narcoterroristas”.

O secretário de Estado americano, Marco Rubio — apontado como o principal defensor da atuação americana na América Latina —, limitou-se a republicar uma mensagem escrita nas redes sociais em julho do ano passado, em que afirmava que Maduro não era o presidente legítimo da da Venezuela e que seu governo também não era legítimo. A sinalização foi apontada por observadores como um possível sinal para dirimir futuros questionamentos quanto a legalidade do ataque.

O senador republicano Mike Lee, de Utah, disse à rede americana CNN ter conversado com Rubio após o ataque. O secretário teria garantido ao parlamentar que o objetivo da missão era a captura de Maduro, que a ação cinética — bombardeio e emprego de meios militares — teria sido empregada para defender os agentes que realizavam a captura e que não estariam previstas novas ações militares contra Caracas.

— Essa ação provavelmente se enquadra na autoridade inerente do presidente, conforme o Artigo II da Constituição, para proteger o pessoal dos EUA de um ataque real ou iminente — afirmou Lee.

As explosões ocorrem depois Trump enviou uma frota de navios de guerra para o Caribe, mencionou a possibilidade de ataques em território venezuelano e afirmou que os dias do presidente Nicolás Maduro no poder estavam contados.

Segundo uma equipe da rede americana CNN, algumas áreas da capital venezuelana ficaram sem energia elétrica. “Uma delas [explosões] foi tão forte que minha janela tremeu depois”, escreveu a correspondente da CNN em Caracas, Osmary Hernandez.

Imagens não verificadas compartilhadas nas redes sociais mostram grandes incêndios com colunas de fumaça, embora sem elementos que permitam identificar a localização exata das explosões, que parecem estar ocorrendo no sul e leste da cidade. Ainda, porém, não é possível verificar sua autenticidade.

‘Muitas explosões e tiros’

Na capital venezuelana, o clima, segundo uma das fontes, “é de pânico pelas imagens de explosões ao redor da cidade”.

— Eu estava dormindo quando minha namorada me acordou e disse que estavam bombardeando. Não vi as explosões, mas ouvi os aviões — disse à AFP Francis Peña, um profissional da Comunicação de 29 anos que mora na zona leste de Caracas.

Sob condição de anonimato, uma aposentada de 67 anos que mora em um bairro próximo ao Forte Tiuna disse que ouviu explosões desde as 2h.

— Há pausas, depois recomeçam. Ainda consigo ouvi-las agora — disse. — As janelas tremeram e eu me escondi em um quarto sem janelas.

Também perto do Forte Tiuna, Emmanuel Parabavis, de 29 anos, morador de El Valle, disse:

— Parece uma metralhadora, como se estivessem se defendendo de bombardeiros — afirmou, acrescentando: — Ouvimos muitas explosões e tiros; imaginamos que sejam contra os aviões que estão sobrevoando a região.

Na cidade costeira de La Guaira (norte), separada da capital apenas por uma montanha que delimita o vale de Caracas, também foram relatadas explosões durante a madrugada. Vídeos obtidos pela AFP mostram colunas de fumaça cinza e laranja ao longo da costa.

Na última segunda-feira, Trump afirmou que os Estados Unidos destruíram uma área de atracação usada por embarcações acusadas de tráfico de drogas na Venezuela, o que seria o primeiro ataque terrestre dos EUA em solo venezuelano. Maduro, por sua vez, expressou confiança em uma entrevista transmitida na última quinta-feira.

— O sistema de defesa nacional garantiu e continua a garantir a integridade territorial, a paz do país e o uso e gozo de todos os nossos territórios — disse o líder venezuelano.

Desde setembro, as Forças Armadas dos EUA realizaram mais de 30 ataques contra embarcações suspeitas de tráfico de drogas no Caribe e no Pacífico, resultando em pelo menos 115 mortes. Em paralelo, Washington mobilizou o maior destacamento militar no mar do Caribe desde a Crise dos Mísseis, em 1962, com o maior porta-aviões do mundo, mais de 15 mil militares e diversos navios de guerra.

Trump acusa Maduro de chefiar uma vasta rede de narcotráfico, acusação que Caracas nega, alegando que Washington quer derrubá-lo para se apoderar das reservas de petróleo do país, as maiores do mundo.

O Globo com agências internacionais – AFP e NYT

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