27/01/2010 – 10:01
Foto: arquivo
Zeca do PT e Murilo Zauith: sorrisos enigmáticos.
Com o fim da verticalização partidária, aquela norma do TSE que obrigava os partidos a reproduzirem nas eleições estaduais as mesmas alianças partidárias acertadas na eleição presidencial e que num passado recente complicou a vida de muita gente, o Mato Grosso do Sul, a prevalecer o quadro que está se desenhando, terá uma das eleições mais esquisitas de sua história. Começando com a encrenca já estabelecida pelo peemedebista André Puccinelli, que ameaça não apoiar sua fada madrinha, a ministra petista Dilma Rousseff, candidata de Lula, caso Zeca do PT insista em enfrentá-lo.
O mais lógico, pelo arco de alianças que sustenta seu governo, é que André Puccinelli fique mesmo com seu colega, o governador tucano de São Paulo, José Serra. Mas como se explicar diante da direção nacional de seu partido, que governa com Lula e apóia Dilma? E, mais importante, vai “cuspir no prato que comeu?”. E as obras do PAC? Perde o que resta de recursos, agora, apostando tudo na vitória Serra? E se dá uma zebra, com sua fada madrinha virando presidente da República, ele, que tem a reeleição como favas contadas, será que teria o perdão de uma ex-guerrilheira?
Pupilo de Puccinelli, o prefeito de Campo Grande, Nelsinho Trad, saltou de banda. Como bom descendente de libaneses, já avisou que não vai correr o risco de perder um tostão sequer do governo federal e que é Dilma desde criancinha. Mas avisa, sua prioridade é a reeleição do padrinho André governador. Lá na frente, são outros quinhentos.
Situação não menos esquisita é a do senador Delcídio do Amaral. Petista, pero no mucho, aliado do PMDB em nível nacional e de olho na sucessão de Puccinelli daqui quatro anos, faz corpo mole com a eleição do companheiro Zeca. Tem pesquisa na mão para justificar à companheirada que o perfil de seu eleitorado é o mesmo do de André, daí a ir tocando a coisa assim na maciota.
E o vice-governador Murilo Zauith? Candidato a senador pelo Democratas, com apoio dos tucanos de Marisa Serrano, que ameaça rebelar-se contra André justamente por causa dessa confusão toda, até agora descartado por Puccinelli, vem sendo paquerado pelo PT, como segunda opção de voto. Aí sim é que vai dar um nó na cabeça do eleitorado.
Imagine o trabalho dos marqueteiros para produzirem os programas de TV. Um exemplo: o prefeito Nelsinho Trad, no palanque petista de Dilma Rousseff, ao lado de Zeca do PT, é o mesmo que estará na TV pedindo votos para André Puccinelli. Durma-se com um barulho desse.
