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terça-feira, janeiro 27, 2026

Barbosinha e Marçal dão início à corrida eleitoral de 2026

Entre a fala assertiva do governador interino e a mudança de postura do prefeito de Dourados, os primeiros movimentos reais de 2026 expõem forças, alianças e incógnitas que vão além da reeleição de Riedel e colocam o Senado no centro do jogo

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Quando o vice-governador Barbosinha afirma, em entrevista ao contrapontoMS, que “Dourados já passou da hora de liderar o Estado”, não está apenas fazendo um discurso regionalista para plateia local. A frase, forte o suficiente para virar título, funcionou como sinal político — e sinais, em ano pré-eleitoral, nunca são gratuitos.

A declaração ganha ainda mais peso porque parte de quem, neste momento, ocupa interinamente o cargo de governador. Não é um deputado em busca de holofote nem um pré-candidato testando frase de efeito. É alguém que fala com a autoridade de quem conhece o funcionamento da máquina e, principalmente, o desenho real do poder em Mato Grosso do Sul.

Quase no mesmo movimento, o prefeito Marçal resolveu subir o sarrafo. Ou, ao menos, foi assim que o gesto foi lido — e corretamente. Política não se faz apenas com intenção, mas com leitura. E a leitura dominante foi a de que o prefeito decidiu sair do ambiente controlado de estúdio de rádio, do discurso calculado e da agenda confortável, para entrar no jogo bruto de 2026. Não foi acaso. Nem uma mera coincidência, as duas manchetes aqui.

Esses dois movimentos — a fala de Barbosinha e a mudança de postura de Marçal — ajudam a compreender o que talvez seja a primeira mexida real do tabuleiro eleitoral de 2026. Um tabuleiro cujo foco central estará na reeleição do governador Eduardo Riedel, mas cujo impacto emocional e político tende a ser ainda maior na eleição que vai renovar dois terços do Senado. Essa, sim, promete mexer com o humor do eleitorado, tensionar alianças e redefinir lideranças.

Barbosinha, ao reivindicar protagonismo para Dourados, também se coloca no centro de uma incógnita que ainda não foi respondida: continuará como vice na chapa de Riedel? A pergunta não é retórica. Ela se conecta diretamente a outra, ainda mais sensível: quem, afinal, representará Dourados e sua região nas grandes decisões de 2026?

É aqui que, como diria meu sogro, Mané Eletricista, “é que surge o probrema”.

Porque o movimento de Marçal — se quiser ser mais que retórico — traz consigo uma responsabilidade a mais para seu mandato. Em 2026, não bastará ser prefeito de Dourados. Será preciso ser líder regional, alguém disposto a amassar barro na periferia, circular pelos municípios vizinhos e pedir votos não apenas para reeleger Riedel ou já pensando no próprio projeto pessoal, para o pós-2026, mas precisando reeleger aliados políticos claros, assumidos, com nome e sobrenome. O deputado Zé Teixeira, por exemplo, o próprio Azambuja, entre outros.

E é nesse ponto que o jogo começa a ganhar densidade. Reinaldo Azambuja aparece hoje com uma eleição dada “quase” como certa, ancorada no espólio ainda robusto do PSDB em Mato Grosso do Sul e, sobretudo, na força administrativa e política do governo Eduardo Riedel, que tende a funcionar como locomotiva eleitoral.

Pela lógica do tabuleiro atual, os votos mais ideológicos do bolsonarismo não devem migrar para Azambuja, mas se dividir entre o capitão Contar e a vice-prefeita de Dourados, Gianni Nogueira, ambos já posicionados nesse campo. Correndo por fora, mas com musculatura própria, está o senador Nelsinho Trad, que soma o peso do sobrenome a uma engenharia eleitoral rara: Campo Grande, o maior colégio eleitoral do Estado, onde um irmão, Marquinhos Trad, desponta como forte candidato a ser o deputado estadual mais votado, enquanto o outro, Fábio Trad, se lança ao governo pelo PT — um aparente paradoxo que, na prática, tende a convergir votos para o senador.

No campo bolsonarista, os dois nomes já postos disputam um eleitorado fiel, porém limitado. Já a grande incógnita atende pelo nome de Simone Tebet: se decidir voltar ao jogo como candidata ao Senado, possivelmente como nome de Lula, independentemente da sigla, poderá liderar um amplo arco de alianças, que incluiria desde setores do PT até o PSD — partido do próprio governador interino Barbosinha e do ex-ministro Gilberto Kassab — redesenhando por completo o mapa eleitoral.

Diante desse cenário, o silêncio deixa de ser uma opção. Barbosinha já fez sua jogada ao colocar Dourados no centro do debate estadual e reposicionar a cidade como peça estratégica no xadrez de 2026. Marçal, ao subir o sarrafo, assume o risco — e o ônus — de ter que provar que sua liderança vai além da comunicação bem ensaiada.

O tabuleiro foi mexido. O sarrafo subiu. Agora, quem não se mover corre o risco de virar peça — e não jogador.

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