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sexta-feira, janeiro 23, 2026

Toffoli e o resort: novos elementos ligam ministro a empreendimento na teia financeira do Master

De segurança a carona em jatinho, cresce desgaste de Toffoli no caso

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Novas revelações aprofundaram o desgaste do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli no caso do Banco Master, dentro da Operação Compliance Zero. Toffoli ganhou na quinta-feira um alívio temporário com a decisão do procurador-geral da República, Paulo Gonet, de arquivar o pedido de parlamentares da oposição para afastar o ministro da relatoria do caso.

Mas, na semana que vem, novos depoimentos dos investigados e a análise das provas obtidas permitirão decidir a respeito da manutenção do processo no STF ou se ele será devolvido para a primeira instância — uma opção vista como “saída honrosa” para contornar o incômodo decorrente das ligações entre pessoas próximas a Toffoli e o Master.

As questões polêmicas envolvendo o ministro no caso vão desde a concentração das investigações no STF à revelação de que seus irmãos foram sócios do pastor Fabiano Zettel, cunhado do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, em um resort, até as viagens frequentes de Toffoli ao local, inclusive recebendo convidados.

Polêmica do resort

Foi revelado na quinta-feira que seguranças que atendem o STF viajaram durante feriados, fins de semana estendidos e recesso do Judiciário para a região onde fica o resort Tayayá, em Ribeirão Claro (PR), frequentado por Toffoli. O local já pertenceu a familiares do magistrado. Foram no total 128 dias, a um custo total de R$ 460 mil em diárias.

O resort Tayayá fica em Ribeirão Claro, no Paraná — Foto: Divulgação
O resort Tayayá fica em Ribeirão Claro, no Paraná — Foto: Divulgação

Sete viagens teriam ocorrido depois que o resort foi vendido a Paulo Humberto Barbosa, da JBS. A transação ocorreu em fevereiro de 2025.

Os dados são baseados em registros do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) da 2ª Região, que indicam as viagens entre 2022 e 2025 à cidade com objetivo de apoiar a segurança de autoridades da Corte, o que ocorre por solicitação do STF. O TRT-2 não revela, contudo, o nome do ministro atendido em cada ocasião.

A maior parte dos dias de viagens (75) ocorreu durante o recesso do Judiciário, que acontece nos meses de janeiro, julho ou dezembro. Trinta e sete dias incluem, em parte, o fim de semana, e 16 correspondem a dois feriados, Carnaval e Corpus Christi.

Situado à beira de uma represa e considerado um destino de luxo, o resort Tayayá está no epicentro de uma crise aberta pela atuação do ministro do Supremo nas investigações envolvendo o Master, que teve liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central em novembro de 2025. Toffoli é o relator do caso que atinge diretamente Vorcaro, dono do banco.

Reportagens da Folha de S.Paulo e do Estado de São Paulo revelaram que o cunhado de Vorcaro, o pastor e empresário Fabiano Zettel — que foi alvo da segunda fase da Operação Compliance Zero, na semana passada — está por trás de uma teia de fundos de investimentos geridos pela Reag, gestora investigada por fraudes envolvendo o Master e também liquidada pelo BC.

Por meio de um desses fundos, Zettel comprou, em 2021, parte da participação de dois irmãos de Toffoli no Tayayá. A participação valia, à época da transação, R$ 6,6 milhões. A Maridt, empresa dos irmãos de Toffoli, passou a ter o fundo ligado a Zettel como principal sócio. Um dos irmãos do ministro administrava o resort na época.

O jornal Estado de São Paulo mostrou ainda que o endereço da Maridt registrado na Junta Comercial era o mesmo da casa de José Eugênio Toffoli, irmão do ministro. Ao chegar lá, a mulher de José Eugênio, Cássia Pires Toffoli, negou que o marido fosse dono do resort e disse que ali não funcionava qualquer empresa. A casa mostrava pintura descascada e o piso da entrada estava quebrado.

Toffoli não tem participação direta no resort, mas é um frequentador. Ele continuou indo ao local com os irmãos José Carlos e José Eugênio Dias Toffoli e outros familiares, mesmo após a venda do controle do Tayayá para o advogado Paulo Humberto Costa, em fevereiro de 2025.

Costa é um advogado que atua para a J&F, grupo da família Batista, controladora da gigante de carnes JBS. Ele comprou a participação remanescente da Maridt e também do fundo ligado ao cunhado de Vorcaro.

Ontem, o Metrópoles publicou um vídeo, gravado no resort, em 2023, que mostra Toffoli recebendo o dono do banco BTG, André Esteves, e o empresário Luiz Oswaldo Pastore, dono do grupo metalúrgico Ibrame.

Pastore já esteve envolvido em outra polêmica de Toffoli. Em dezembro, o colunista do jornal O Globo Lauro Jardim revelou que, poucos dias antes de assumir a relatoria do processo do Master no STF, o ministro foi a Lima, no Peru, de carona no jatinho de Pastore. A viagem tinha como objetivo ver o a final da Taça Libertadores da América entre Flamengo e Palmeiras, time do ministro.

Só que no avião estava ainda o advogado Augusto Arruda Botelho, que atua na defesa de Luiz Antonio Bull, ex-diretor de Compliance do Master, preso na mesma operação da PF que levou à liquidação do banco.

Vorcaro prefere STF

Na avaliação de integrantes do STF, com a conclusão dos depoimentos, na semana que vem, será possível ter uma avaliação mais precisa sobre a manutenção das investigações na Corte ou sua devolução para a primeira instância. Serão ouvidos ex-sócios de Vorcaro e ex e atuais diretores do BRB. Vorcaro e o ex-presidente do BRB Paulo Henrique já foram ouvidos no fim do ano passado.

A defesa de Vorcaro, porém, avalia que o retorno à primeira instância traria o risco de decisões precipitadas, enquanto o STF daria mais previsibilidade ao andamento da apuração.

Procurada, a Corte disse em nota que a Secretaria de Polícia Judicial do STF é responsável por zelar pelos ministros, e a equipe mensura os riscos conforme as circunstâncias do local. “Destaca-se que os ministros são protegidos, caso necessário, em agendas institucionais ou não, porque o risco não ocorre somente na agenda institucional. Tal procedimento é mundial para as autoridades públicas”, acrescentou. Toffoli não se manifestou.

Motivos de desconforto

Toffoli assume o caso Master

Sede do Banco Master, em São Paulo — Foto: Reprodução / TV Globo
Sede do Banco Master, em São Paulo — Foto: Reprodução / TV Globo

O ministro do Supremo Dias Toffoli decidiu que o caso do Master iria para o STF por citar uma pessoa com foro privilegiado. Ele impôs sigilo e assumiu a relatoria. Poucos dias antes, Toffoli havia viajado a Lima no jato de um empresário, junto ao advogado de um ex-diretor do Master.

Sociedade com cunhado de Vorcaro

Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, é um dos alvos da operação da PF — Foto: Gabriel Reis / Valor
Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, é um dos alvos da operação da PF — Foto: Gabriel Reis / Valor

Irmãos de Toffoli constaram em registros oficiais como controladores do resort de luxo Tayayá, em Ribeirão Claro (PR). Fabiano Zettel (foto), cunhado de Daniel Vorcaro, dono do Master, foi sócio deles, por meio de um fundo de investimento administrado pela Reag.

Empresa no endereço da residência

Vista da sede da Maridt Participações, na cidade de Marí­lia, no interior de São Paulo — Foto: Reprodução
Vista da sede da Maridt Participações, na cidade de Marí­lia, no interior de São Paulo — Foto: Reprodução

Maridt, empresa dos irmãos de Toffoli que vendeu a participação no resort, tinha como endereço o mesmo local da residência (foto) de José Eugênio Dias Toffoli. A mulher deste, Cássia Pires Toffoli, disse que ele nunca foi dono do Tayayá e que ali não funcionava nenhuma empresa.

Viagens ao resort

Tayayá Aqua Resort em Ribeirão Claro no Paraná — Foto: Divulgação
Tayayá Aqua Resort em Ribeirão Claro no Paraná — Foto: Divulgação

O portal Metrópoles e o jornal Folha de S.Paulo publicaram declarações de funcionários do Tayayá de que o ministro do STF Toffoli seria o verdadeiro dono do resort. Eles afirmaram ainda que Toffoli mantém até hoje um barco e uma casa no local, onde costuma receber pessoas.

Uso de seguranças do STF

O Supremo Tribunal Federal (STF) — Foto: Cristiano Mariz / Agência O Globo
O Supremo Tribunal Federal (STF) — Foto: Cristiano Mariz / Agência O Globo

Registros de diárias do STF apontam que seguranças foram deslocados para a região do Tayayá por pelo menos 128 dias. Sete dessas viagens teriam ocorrido depois de o resort ter sido vendido a Paulo Humberto Barbosa, advogado da J&F, controladora da JBS.

Daniel Gullino e Mariana Muniz?O Globo — Brasília

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