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segunda-feira, fevereiro 9, 2026

Ménage à trois caipira

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Esta noite participei de um mènage a tróis! Eu, meu marido e Bauman! Sim, dormi com os dois. Fui rever Amor Liquido, e dormi, babei no livro e acordei abraçada a ele e com as pernas cruzadas com as de meu marido! Pois é, realmente “Não existe desejo sem ansiedade, esforço sem suor, nem resultados sem esforços”! Eu me esforcei, forcei, intuí e dormi lendo! Acho que foi o marido que apagou a luz, e não conseguiu me tomar o livro, nem o marca texto, que devo ter abandonado durante a noite. Mas o Bauman, ah o Bauman, eu não larguei! O livro amanheceu amassado, num abraço apertado, no meu peito. E com um trecho marcado: sem humildade e coragem não há amor. Pois é, a mão que afaga é a mesma que apedreja, pois acaricia e também pode prender e esmagar. Sim, o amor dissolve seu passado a medida que prossegue! Busca abrigo na dispersão de verdades confessadas /inconfessadas. Pois é, uma hipoteca baseada nas incertezas e no inescrutável futuro! O amor é tão atemorizante quanto a morte. É uma pequena morte. O amor nos consome! Nos fascina, nos pega desprevenidos, quando chegado seu momento! Não tem ancestralidade, nem descendência! E quanto mais velho você é, quanto mais você acha que consegue abarcar a prodigalidade da vida, mais o amor te dará olés. Quanto mais você se achar fodástico/a, mais a vida te mostrará que você tem muito pra viver, aprender, conhecer, crescer. Não estar no corpo do outro/a, na mente do/da pessoa é não saber de suas incompletudes, dos seus desejos, dos seus eventos íntimos. Não viver as abundâncias é não saber das experiências do outro. Não devemos subestimar a habilidade, o domínio, o conhecimento, a prática, a assiduidade, o vigor de ninguém! Amar é se dirigir a Gênesis do belo! Amar é ser refém do destino, do regozijo irreversível deste amálgama da vivência! Amar é um estranho, misterioso e atemorizante encanto/ desencanto!

E o Bauman eu amo, como, e talvez até mais que, o amor que tenho pelo meu marido! E amo de novo e outra vez! Durmo com ele! Beijo, lambo, esfrego no corpo, desenho na alma, visceral e inelutavelmente! Tento conhecer intimamente, assim como conheço meu marido! E me desnudo com ele e o deixo entrar em minhas intimidades. Sua liquidez me domina, e Bauman me é e eu o sou! Amantes vorazes e fantasiosos! E assim nos tornamos um só corpo, uma só escritura!

Gicelma Chacarosqui – Pós-doc, (em andamento pela Universidade de Salamanca /Esp); Pós-doc pelo ECCO, UFMT; Doutorado em Comunicação e Semiótica pela PUC/SP; Mestrado em Estudos Literários e graduação em Letras Português Literatura Brasileira pela UFMS. É professora Titular da UFGD. Membro da Academia Douradense de Letras e da UBE-MS. Autora de diversos livros e periódicos!

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