25.2 C
Dourados
sábado, fevereiro 21, 2026

Et Dieu… créa Bardot, e Deus… criou Bardot

- Publicidade -

O site francês de previsão do tempo, Météo France, informa que o dia será chuvoso. Hoje e nos próximos dias da semana. Aliás, nos próximos quinze dias! Mas eles já têm sido tão chuvosos ultimamente… Cinza, cinza, meu céu parisiense. Que venha o sol nos aquecer!

Não dá para esperar o sol da manhã. Ele não virá. Então, é preciso munir-se de capa, guarda-chuva e tudo o mais para se proteger da chuva. Uma garoa, por vezes, que molha e leva o frio até a alma.

Na saída do metrô, tenho a sensação de que o corpo está encharcado até os ossos neste inverno de 5 graus. Abro o guarda-chuva para me proteger e chegar ao número 46 da rue de Poitou, no bairro central que chamamos de Le Marais, onde cada vez mais tem pipocado galerias de arte.

A que vou visitar hoje é a Galerie de l’Instant, que pode ser traduzida como Galeria do Instante. É uma galeria de fotografia dirigida por Julia Gragnon, cujo pai, François Gragnon, foi fotógrafo e registrou, para a revista Paris Match, muitas personalidades famosas — inclusive Brigitte Bardot, que a galeria expõe até o dia 29 de março.

Uma quantidade de turistas passa por lá. E Brigitte, que partiu recentemente, está ali presente em inúmeras imagens enquadradas.

Julia, em sua apresentação no site da galeria, diz que existem para ela duas Brigitte Bardot. A primeira — aquela de que gosta — é a mulher ferozmente livre, de uma beleza e graça arrebatadoras, que revolucionou sua época e trouxe tanto às mulheres. Da segunda, ela prefere não falar: escolhe ignorar suas posições mais do que discutíveis.

Prefere lembrar o impacto que Bardot teve na sociedade de seu tempo, provocando mudanças geracionais. Sua formação como bailarina certamente contribuiu muito para sua relação despreocupada com o corpo e com a própria sensualidade. Quando dança em E Deus… Criou a Mulher, aquele corpo sublime, sua juventude, aquela sede de liberdade e independência foram um choque para o mundo inteiro — diz a galerista.

As imagens mostram Brigitte em vários filmes e ao lado de diversos atores com quem trabalhou.

São incontáveis as modas que lançou, tanto no vestuário quanto nos penteados; entre o fim dos anos 1950 e meados dos anos 1970, foi símbolo e modelo para inúmeras francesas. Sua luta pelos animais é, certamente, o que permanecerá como a parte mais importante de seu legado. Sempre à frente de seu tempo e tão sincera, provavelmente se decepcionou com alguns homens, apesar de seus sucessos amorosos — lembra a galerista.

Seu pai, que a fotografou intensamente para Paris Match nos anos 1960, falava dela quase como se fala de um companheiro de aventuras. E sei que passaram mais tempo festejando do que fotografando! Pois sua relação com a imagem era tão natural, sua fotogenia tão evidente, que devia ser um prazer incrível ter diante de si um modelo assim…

A galeria apresenta numerosos exemplares de fotografias de época, muitas delas vintage e frequentemente únicas: imagens de filmagens, de recepções…

  • Mazé Torquato Chotil – Jornalista e autora. Doutora (Paris VIII) e pós-doutora (EHESS), nasceu em Glória de Dourados-MS, morou em Osasco-SP antes de chegar em Paris em 1985. Agora vive entre Paris, São Paulo e o Mato Grosso do Sul. Tem 14 livros publicados (cinco em francês). Fazem parte deles: Na sombra do ipê e No Crepúsculo da vida (Patuá); Lembranças do sítio / Mon enfance dans le Mato Grosso; Lembranças da vila; Nascentes vivas para os povos Guarani, Kaiowá e Terenas; Maria d’Apparecida negroluminosa voz; e Na rota de traficantes de obras de arte.
    Em Paris, trabalha na divulgação da cultura brasileira, sobretudo a literária. Foi editora da 00h00 (catálogo lusófono) e é fundadora da UEELP – União Européia de escritores de língua Portuguesa. Escreveu – e escreve – para a imprensa brasileira e sites europeus.
- Publicidade -
- Publicidade -
- Publicidade -

Últimas Notícias

Últimas Notícias

- Publicidade-