Valfrido Silva
Na contagem regressiva para as eleições, a política do Mato Grosso do Sul reencontra seu ritmo mais característico: o momento em que alianças se reorganizam, convicções se ajustam e o troca-troca partidário passa a operar como força motriz do jogo. É nesse cenário que se voltam as atenções para os próximos passos do ex-governador Reinaldo Azambuja, especialmente após a mudança que o levou do PSDB ao PL — um movimento que, em vez de consolidar sua posição como franco favorito candidato ao Senado, acabou por expor fragilidades. Diante da resistência de setores do bolsonarismo, a percepção nos bastidores é de que uma revisão pode se tornar necessária. Resta saber se haverá espaço, pela soberba do ex-governador, para esse movimento.
Outra expectativa ronda o futuro da senadora e ex-presidenciável Soraya Thronicke, a “mulher onça” do Pantanal sul-mato-grossense. Sua movimentação recente só aumenta o clima de especulação típico deste período. Mas foi sua presença na comitiva do presidente Lula, durante a passagem por Campo Grande, na abertura da COP-15, que elevou o burburinho a outro patamar, reforçando nos bastidores a possibilidade de vir a ser a candidata do presidente ao Senado, em lugar do petista Vander Loubet. Num cenário já embaralhado, a presença da douradense de nascimento adiciona mais uma camada de incerteza, especialmente quando se observa que Vander não demonstra grande disposição para um embate direto com nomes como Nelsinho Trad, Reinaldo Azambuja, Marcos Pollon e, claro, a bolsonarista Gianni Nogueira — esta, sim, tratada como “da cozinha” de Bolsonaro, e que pode, na contramão de Azambuja, deixar o PL para disputar por uma legenda menos congestionada.

No meio desse tabuleiro, excetuando-se Vander, herdeiro político direto do campo petista, todos os demais parecem operar sob a mesma lógica: viabilizar-se primeiro, ajustar o discurso depois. A permanência ou não de Azambuja no já congestionado PL é apenas uma peça de um jogo maior, onde mudar de partido deixou de ser exceção e passou a ser estratégia. E isso, considerando-se apenas a disputa ao Senado.
Porque, no plano do Executivo, a reeleição de Eduardo Riedel sempre foi tratada como favas contadas — ao menos até a entrada de Fábio Trad no PT, embaralhando um cenário que parecia estável demais para ser político.
Do outro lado, nomes como João Henrique Catan e outros nanicos — sempre “competentes” nesse papel — surgem mais como exercício de visibilidade do que como projeto consistente de poder, muito mais preocupados em evitar o constrangimento de uma derrota a cargos legislativos do que, propriamente, em disputar o governo com viabilidade real. No caso de Catan, pesam inclusive as dúvidas sobre sua própria reeleição à Assembleia, já que sua atuação tem se resumido a se firmar como arauto do bolsonarismo. Ainda assim, a candidatura ao Executivo aparece como atalho simbólico: não exatamente um projeto de poder, mas uma tentativa de se projetar sobre uma história familiar que remete a um tempo em que o poder tinha outro tipo de lastro, como nas duas ocasiões em que o avô, Marcelo Miranda Soares, ocupou o governo do Estado.
É nesse ambiente que o atual troca-troca partidário se impõe. Não como exceção, mas como regra.
