09/03/2010 – 11:03
Foto: Eder Gonçalves
Marcelo Barros antecipa-se ao Judiciário e pede a saída de Valdecir da prefeitura.
Dizia um velho ditado que de cabeça de juiz, de barriga de mulher e de bumbum de neném ninguém sabe o que vem. Dizia, pois com a moderna tecnologia já se pode prever – e até escolher – o sexo das crianças, cujos bumbuns continuam a surpreender, tanto pela coloração (mostarda ou abacate) como pela consistência (líquida ou sólida) do que expele, da mesma forma as privilegiadas cabeças de suas excelências, os magistrados, em que pese as desconfianças cada vez mais acentuadas, depois de tantos escândalos envolvendo também o Judiciário.
Pois é dentro deste contexto que se aguarda, para qualquer momento, a decretação da prisão do prefeito de Dourados, Ari Valdecir Artuzi. O pedido, feito pelo procurador-geral de Justiça do Estado, Miguel Vieira da Silva, repousa desde a tarde da última sexta-feira, na mesa do desembargador Claudionor Abss Duarte, relator do processo, o mesmo que mandou soltar os 41 presos das operações Owari e Brothers, em julho do ano passado. As informações são poucas e controvertidas, até porque poucos são os que se arriscam a falar ao telefone, efeito das mesmas Owari e Brothers que pegou todo mundo de calça curta. Mas quem esteve no Parque dos Poderes ontem diz que o pedido de prisão está muito bem fundamentado, tem 42 páginas e está num envelope lacrado, na mesa de Duarte.
Nos bastidores a informação é de que as ameaças do prefeito de “derrubar gente grande” que lhe persegue, além das acusações contra o próprio judiciário, pesaram bastante no trâmite do processo, uma vez que à boca pequena Valdecir promete denunciar o que seria o “caixa dois” da Assembléia Legislativa, onde esteve seis anos.
O advogado do prefeito douradense, Newley Amarilha, informa hoje ao CORREIO DO ESTADO, que os desembargadores se reunirão para analisar a ação e, depois, intimar o prefeito a fazer sua defesa. Balela. Claudionor pode decretar a prisão a qualquer momento, tal qual aconteceu com o governador do distrito federal. Se um governador não teve este privilégio, por que o Valdecir vai ter? A menos que o desembargador tenha ainda alguma dúvida sobre o trabalho da Polícia Federal, que desbaratou a quadrilha que agia na prefeitura de Dourados, e do Ministério Público. Aí, a coisa pode demorar. Isso não significa, porém, que ele seja tão poderoso assim, a ponto de decidir sozinho o destino do prefeito. Ele pode até ser bonzinho de novo, como acredita – e espalha – a turma do Valdecir, mas vai chegar uma hora em que o processo terá que ser analisado pelo plenário do Tribunal, igualzinho aconteceu no Supremo, que rejeitou o pedido de habeas corpus ao governador preso de Brasília.
Ontem alguns vereadores retornaram de Campo Grande aliviados porque teriam sido “salvos” do xilindró. Ledo engano. Quem vai decidir o futuro deles, de Sizuo Uemura e Cia. é a juíza Dileta Terezinha Thomáz, a mesma que mandou prendê-los em 7 de julho passado. Valdecir, apenas, vai ter a sorte definida no Tribunal, porque tem foro privilegiado.
Da Tribuna, exibindo a manchete do mesmo CORREIO DO ESTADO dando conta do pedido de prisão do prefeito douradense, o vereador Marcelo Barros pediu seu afastamento imediato do cargo,”por absoluta falta de condições morais e psicológicas para continuar administrando Dourados”.
