Uma escola funcionando o dia inteiro, um hospital mais perto de casa, uma rua asfaltada no bairro, emprego para quem procura e proteção para uma mulher ameaçada dentro da própria casa. É nessa tradução dos grandes números para a vida cotidiana que Eduardo Riedel (Progressistas), governador de Mato Grosso do Sul e candidato à reeleição, procura colocar o centro do debate sobre os próximos quatro anos.
Em entrevista ao jornalista Rodrigão, no programa Balanço Geral, da TV MS Record, Riedel reconheceu que, mesmo depois dos avanços promovidos por sua gestão, ainda há muito a fazer. Para ele, governar um Estado em transformação significa justamente entender que novas necessidades aparecem à medida que a própria sociedade muda.
Riedel argumentou que Mato Grosso do Sul mantém capacidade de investimento acima da média nacional, mas lembrou que as demandas se multiplicam em áreas como infraestrutura, saúde e educação. Segundo o governador, o desafio não é apenas executar obras, mas produzir avanços concretos e manter uma direção de longo prazo para as políticas públicas.
Na educação, por exemplo, afirmou que o Estado já investiu mais de R$ 1 bilhão na reestruturação física das escolas e que a próxima etapa passa pela ampliação do ensino em tempo integral e da formação profissional. Na saúde, colocou a regionalização e, sobretudo, o financiamento da rede entre os principais desafios que ainda precisam ser enfrentados.
Município forte, Estado forte
Uma das ideias que atravessaram a entrevista foi o municipalismo —uma das marcas de sua gestão.
Na prática, significa tentar fazer com que parte da capacidade financeira e administrativa do Governo do Estado chegue às prefeituras, especialmente em áreas nas quais os municípios encontram dificuldades para bancar sozinhos investimentos e serviços.
Além das transferências constitucionais, como as parcelas de ICMS e IPVA destinadas aos municípios, Riedel citou programas estaduais que colocam recursos adicionais nas cidades.
Entre eles estão o Plano Estadual Hospitalar, com repasses para hospitais de média complexidade; o MS Alfabetiza e o MS Matemática, na educação; além dos investimentos em infraestrutura e dos recursos do Fundersul.
Segundo o governador, nos últimos três anos e meio foram destinados diretamente aos municípios cerca de R$ 2,5 bilhões além das transferências constitucionais.
“A gente tem uma crença muito forte que o crescimento do município é o crescimento do Estado”, resumiu.
Esse modelo, afirmou Riedel, deve continuar independentemente da coloração partidária de cada prefeitura.
Violência contra a mulher exige resposta além do feminicídio
A entrevista também avançou sobre uma das questões sociais mais graves enfrentadas por Mato Grosso do Sul: a violência contra as mulheres.
Riedel classificou o problema como uma “chaga brasileira” e defendeu que o debate não seja limitado aos casos de feminicídio. Segundo ele, o assassinato de uma mulher por razões de gênero muitas vezes representa o último estágio de uma cadeia anterior de agressões que pode envolver violência psicológica, financeira e familiar.
O governador reconheceu a gravidade dos indicadores estaduais. Segundo os dados citados por ele durante a entrevista, Mato Grosso do Sul aparece com o quarto maior índice de feminicídios do país.
Riedel ponderou, entretanto, que o Estado adota uma classificação mais ampla dos homicídios de mulheres como feminicídio. Enquanto a média brasileira de tipificação estaria pouco acima de 40%, em Mato Grosso do Sul quase 60% dos homicídios femininos recebem essa classificação.
Para o governador, o dado não pode servir para minimizar o problema, mas justamente para impedir que os casos sejam escondidos pelas estatísticas. “Não vamos jogar para debaixo do tapete”, afirmou.
Para Riedel, o enfrentamento precisa começar antes da violência chegar ao seu estágio extremo. Ele defendeu atuação nas escolas, fortalecimento da rede de proteção, preparação dos profissionais responsáveis pelo atendimento às vítimas e rigor das forças de segurança contra os agressores.
Combate às facções e disputa pelo território
Outro tema considerado prioritário pelo governador é o avanço das organizações criminosas.
Riedel usou uma expressão forte para definir o cenário nacional: disse que o Brasil vive uma “guerra” contra as facções e avaliou que o país ainda não trata o problema com a gravidade necessária.
Em Mato Grosso do Sul, Estado marcado por uma extensa faixa de fronteira, a estratégia relatada pelo governador combina inteligência, integração entre as forças policiais e investimentos em equipamentos, materiais e viaturas.
A preocupação central é impedir que organizações criminosas passem a exercer controle territorial e interfiram diretamente na liberdade e na rotina das pessoas.
Para Riedel, existe uma linha que o poder público não pode permitir que seja ultrapassada: aquela em que moradores e comerciantes passam a depender da autorização ou proteção de grupos criminosos para viver, trabalhar ou manter seus negócios.
Quando isso acontece, argumentou, o Estado perde sua capacidade de garantir segurança naquele território.
Saúde regionalizada e mais hospitais
Se a segurança apareceu como desafio imediato, a saúde foi apresentada por Riedel como uma das prioridades estruturais para um eventual segundo mandato.
O governador voltou a defender a reorganização da rede estadual a partir da regionalização do atendimento, reduzindo a necessidade de que pacientes percorram grandes distâncias para conseguir procedimentos que poderiam ser oferecidos mais perto de suas cidades.
Ele também chamou atenção para o subfinanciamento do Sistema Único de Saúde e afirmou que o Estado aumentou sua participação nos gastos diante da falta de atualização da tabela do SUS e do volume dos repasses federais.
Ele lembrou que Mato Grosso do Sul passou de um para quatro hospitais regionais (Campo Grande, Dourados, Três Lagoas e Ponta Porã) e se prepara para dar ordem de serviço para uma quinta unidade, em Corumbá.
No Regional de Campo Grande, uma das principais unidades da saúde pública estadual, Riedel destacou a transformação no modelo de gestão acompanhada pela ampliação da capacidade de atendimento. A estrutura deverá passar de 215 para 277 leitos.
A proposta é combinar mais capacidade com eficiência e qualidade no atendimento.
Crescimento precisa produzir oportunidade
Na parte final da entrevista, Riedel ligou os diferentes temas a uma mesma ideia: crescimento econômico só tem sentido político quando consegue produzir oportunidades para as pessoas.
Ele contrapôs o ambiente de instabilidade institucional que enxerga no cenário nacional ao modelo que buscou construir em Mato Grosso do Sul, baseado em diálogo entre os Poderes e atração de investimentos privados.
O governador lembrou que o Estado chegou ao menor desemprego de sua história, tem atualmente a terceira menor taxa de desemprego do país e a quinta maior renda média nacional.
Para ele, emprego e crescimento econômico precisam caminhar junto com educação e qualificação.
Por isso, relacionou os indicadores econômicos à expansão da escola em tempo integral e dos cursos profissionalizantes. A intenção é preparar principalmente os jovens para que consigam ocupar as oportunidades abertas pela transformação econômica vivida pelo Estado.
Ao mesmo tempo, reconheceu que nem todas as pessoas conseguem entrar nesse ciclo apenas pelo mercado de trabalho. “Para aquele, para aquela que não teve condição de acessar essa oportunidade, o Estado tem que estender a mão”, afirmou.
Riedel citou a redução da extrema pobreza como exemplo dessa combinação entre desenvolvimento econômico e proteção social. A taxa caiu de 4%, em 2021, para 1,6%, e a meta é avançar até a eliminação da extrema pobreza no Estado.
É justamente nesse encontro entre crescimento e inclusão que o governador localiza sua candidatura à reeleição.
Para o governador, Mato Grosso do Sul construiu capacidade de investimento, ampliou sua estrutura de serviços e criou uma base econômica que agora permitiria aprofundar políticas públicas já iniciadas.
Se o primeiro movimento foi fazer o Estado crescer e aumentar sua capacidade de investimento, o próximo ciclo deve fazer esse avanço chegar cada vez mais perto da vida cotidiana — no município, na escola, no hospital, na segurança, no emprego e na renda.
Assecom/campanha eleitoral
