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sábado, setembro 26, 2026

Fábio contesta Quaest, mas Ranking mantém Riedel nos 50%

Ranking dá ao candidato petista seis pontos a mais do que o levantamento da TV Morena, porém confirma o governador na faixa que permite vitória no primeiro turno

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A equipe jurídica de Fábio Trad resolveu levar à Justiça Eleitoral uma pergunta que deveria acompanhar toda pesquisa com capacidade de interferir numa eleição: onde, exatamente, foram encontrados os eleitores que produziram aqueles números? A campanha do candidato petista ao governo de Mato Grosso do Sul anunciou providências para exigir maior transparência da pesquisa Quaest encomendada pela TV Morena e divulgada nesta sexta-feira, sob a alegação de que o relatório completo e o detalhamento dos municípios e bairros pesquisados não estavam disponíveis integralmente no sistema oficial quando a consulta foi feita.

O questionamento ganha relevância porque, poucas horas depois, outra pesquisa apresentou um retrato semelhante na liderança, mas sensivelmente diferente na distribuição dos votos entre os adversários de Eduardo Riedel. Na Quaest, o governador aparece com 51%, Fábio Trad com 12% e Delcídio do Amaral com 6%. Na Ranking Brasil Inteligência, contratada pela Top FM e divulgada neste sábado, Riedel tem 50%, Fábio sobe para 18%, Delcídio chega a 9%, Renato Gomes aparece com 4,2% e João Henrique Catan registra 3%.

As duas pesquisas, portanto, enxergam praticamente o mesmo Eduardo Riedel: 51% numa e 50% na outra. Mas não encontram exatamente o mesmo Fábio Trad. Entre os 12% da Quaest e os 18% da Ranking há uma diferença de seis pontos percentuais, superior à margem de erro dos dois levantamentos. Delcídio também varia três pontos, de 6% para 9%. Não é uma distância capaz de inverter a corrida nem de retirar do governador a possibilidade concreta de vitória no primeiro turno, mas é suficiente para justificar uma pergunta sobre a composição das amostras e a localização dos entrevistados.

A comparação torna-se ainda mais interessante porque os períodos de campo praticamente se confundem. A Quaest ouviu 804 eleitores entre os dias 21 e 24 de setembro, com margem de erro de três pontos percentuais. A Ranking entrevistou 2 mil eleitores entre os dias 21 e 25, com margem de 2,2 pontos. Não é o caso de comparar uma fotografia de agosto com outra tirada na reta final da campanha. São dois retratos feitos quase simultaneamente, diante do mesmo eleitorado e sob o impacto dos mesmos acontecimentos políticos.

Isso não prova, por si só, que uma pesquisa esteja certa e a outra, errada. Institutos diferentes utilizam desenhos amostrais, ponderações, distribuição territorial e métodos de abordagem distintos. É justamente por isso que a legislação exige o registro e a divulgação das informações técnicas: para que candidatos, especialistas, jornalistas e eleitores possam examinar não apenas o placar, mas também a maneira pela qual ele foi produzido. Pesquisa não é revelação divina entregue numa tábua de pedra. É um estudo estatístico que precisa ser tecnicamente verificável.

Fábio Trad tem razão ao cobrar que todos os elementos exigidos estejam disponíveis. Pesquisa eleitoral influencia alianças, mobiliza financiadores, interfere no voto útil, anima militâncias e pode produzir o efeito perverso de transformar uma tendência em fato consumado. Na reta final, um número divulgado pela principal emissora do Estado ganha dimensão política própria. A transparência, portanto, não é gentileza do instituto nem capricho de candidato descontente. É obrigação.

Também seria precipitado, porém, usar a ausência apontada pela campanha para desqualificar automaticamente o levantamento da Quaest. Caberá à Justiça Eleitoral verificar se houve descumprimento das exigências legais e determinar, se necessário, a apresentação das informações faltantes. Até lá, o dado objetivo é que a pesquisa posterior não derruba o eixo central da anterior: Riedel permanece na casa dos 50% e seus adversários, somados, continuam abaixo dele.

A Ranking oferece algum alento a Fábio ao colocá-lo seis pontos acima da Quaest, mas não lhe entrega ainda a passagem para o segundo turno. Ao mesmo tempo, reforça a necessidade da cobrança feita por sua equipe jurídica. Se dois levantamentos realizados nos mesmos dias encontram praticamente o mesmo favorito, mas adversários de tamanhos diferentes, não basta perguntar quem está na frente. É preciso saber em que municípios, bairros, ruas e portas cada instituto foi procurar o eleitor.

A urna dará a resposta definitiva dentro de poucos dias. Até lá, pesquisa precisa ser tratada como fotografia, não como escritura lavrada em cartório. E fotografia eleitoral, principalmente quando pode ajudar a decidir uma eleição, deve vir acompanhada do negativo.

contrapontoMS

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