Valfrido Silva*
Os candidatos ao Governo e ao Senado por Mato Grosso do Sul chegaram ao dia da eleição com dois retratos diferentes em percentuais, mas semelhantes no desenho geral da disputa. Os levantamentos finais divulgados pelos institutos IPEMS e Ranking colocam o governador Eduardo Riedel na liderança da corrida pela reeleição, seguido por Fábio Trad, e mostram Reinaldo Azambuja e Capitão Contar tecnicamente empatados na briga pelas duas cadeiras do Senado. A partir de agora, os números deixam de pertencer aos institutos e passam ao único levantamento que não possui margem de erro: a contagem dos votos depositados nas urnas.
Na pesquisa estimulada do IPEMS para o Governo, Riedel aparece com 67,05% das intenções de voto. Fábio Trad tem 13,40%, seguido por João Henrique Catan, com 6,07%, e Delcídio do Amaral, com 3,66%. Economista Renato Gomes aparece com 1,19%; Lucien Rezende, com 0,68%; Daniel Lemes, com 0,25%; e Jeferson Bezerra, com 0,15%. O instituto ouviu 820 eleitores entre 28 de setembro e 2 de outubro. A margem de erro é de 3,42 pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. O levantamento está registrado na Justiça Eleitoral sob o número MS-05731/2026.
O Ranking apresenta uma distância menor entre o primeiro e o segundo colocados. Riedel aparece com 52%, Fábio Trad com 18%, Delcídio com 6% e Catan com 5,4%. Economista Renato soma 3,2%; Lucien, 1,2%; Jeferson, 0,8%; e Daniel, 0,2%. Brancos e nulos representam 6%, enquanto 7,2% não souberam ou não responderam. O levantamento ouviu 2 mil eleitores em 30 municípios entre 1º e 3 de outubro, possui margem de erro de 2,2 pontos percentuais e nível de confiança de 95%. Os registros são MS-04017/2026 e BR-01023/2026.
Embora os dois institutos mostrem Riedel à frente, a diferença entre os percentuais atribuídos ao governador é de 15,05 pontos. Fábio, por sua vez, varia de 13,40% no IPEMS a 18% no Ranking. Catan aparece em terceiro no IPEMS, enquanto o Ranking coloca Delcídio nessa posição. São diferenças relevantes, que recomendam a apresentação separada dos levantamentos, sem produzir médias artificiais ou transformar metodologias distintas numa pesquisa que nenhum dos dois institutos realizou.
Na disputa pelo Senado, a coincidência principal está no empate entre os dois candidatos do PL. Segundo o IPEMS, Reinaldo Azambuja tem 34,70% e Capitão Contar, 34,10%. A diferença entre ambos é de apenas 0,6 ponto percentual, muito inferior à margem de erro de 3,42 pontos. Soraya Thronicke aparece em terceiro lugar, com 16,13%, seguida por Vander Loubet, com 7,97%. Roberto Oshiro tem 2,88%; Beto do Movimento, 1,44%; Valter da Comagran, 1,05%; Luiz Lemes, 0,81%; Valderi Garcia, 0,47%; e Daniel Júnior, 0,45%. A pesquisa utilizou a mesma amostra de 820 entrevistados e o mesmo registro do levantamento para o Governo.
O Ranking também coloca Reinaldo e Contar em empate técnico. Na consolidação divulgada pelo instituto, somando as indicações para o primeiro e o segundo votos, Reinaldo aparece com 31,70%, Contar com 30,50%, Vander com 18,70% e Soraya com 16,50%. Os demais candidatos somam 2,60%. Quando as escolhas são apresentadas separadamente, Reinaldo tem 26% no primeiro voto e 28% no segundo; Contar, 25% e 27%; Vander, 17% e 15%; e Soraya, 15% e 13%, respectivamente.
A ordem de Vander e Soraya constitui a principal divergência entre os dois institutos na corrida senatorial. O IPEMS coloca Soraya na terceira posição, com vantagem superior a oito pontos sobre Vander. O Ranking inverte as posições e apresenta o petista 2,2 pontos à frente da senadora na consolidação dos dois votos. Nenhum dos levantamentos, entretanto, retira Reinaldo e Contar das duas primeiras colocações, sempre separados por uma diferença pequena e dentro das respectivas margens de erro.
Pesquisas são fotografias realizadas antes da votação, submetidas a amostras, questionários e metodologias próprias. Não contabilizam votos, não substituem a apuração e tampouco capturam necessariamente todos os movimentos das últimas horas. Servem para mostrar como os candidatos chegaram à porta das seções eleitorais. Da porta para dentro, IPEMS, Ranking, candidatos, marqueteiros e jornalistas tornam-se espectadores. Quem assume a pesquisa é a urna.
(*) jornalista e editor do contrapontoMS, em colaboração humano-IA, sob revisão e edição final do autor.
