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segunda-feira, outubro 5, 2026

Dourados mantém Barbosinha no Governo, amplia bancada na Assembleia e preserva duas cadeiras em Brasília

Com o vice-governador reeleito, cinco deputados estaduais e dois federais, município sai das urnas com uma de suas maiores representações políticas

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Valfrido Silva*

Dourados saiu das urnas deste domingo com uma estrutura de poder político que há muito tempo não conseguia reunir. Além do vice-governador Barbosinha, ligação direta do município com o centro de decisões do Parque dos Poderes, a segunda maior cidade de Mato Grosso do Sul elegeu dois deputados federais e cinco estaduais. São oito posições estratégicas ocupadas por políticos com raízes no município, formando uma bancada suficientemente numerosa para transformar reivindicações regionais em pressão efetiva sobre os governos estadual e federal.

Na Câmara dos Deputados, Dourados manteve as duas cadeiras que já possuía, mas com mudança de personagens. Rodolfo Nogueira, o Gordinho do Bolsonaro, foi reeleito pelo PL com 103.303 votos. Geraldo Resende, que durante décadas foi uma das principais referências políticas do município em Brasília, ficou fora. Em seu lugar entrou Isa Marcondes, a Cavala, eleita pelo Republicanos com 76.956 votos, depois de protagonizar uma das campanhas mais barulhentas, controversas e eleitoralmente eficientes da disputa.

O resultado conserva a presença douradense na bancada federal, mas altera completamente seu perfil. Rodolfo e Isa pertencem ao campo político que integrou a ampla aliança montada em torno da reeleição de Eduardo Riedel. Isso não significa obediência automática ao governador em Brasília, onde predominam as disputas nacionais e o confronto entre lulismo e bolsonarismo, mas oferece a Riedel dois interlocutores do município dentro de partidos aliados ao seu projeto estadual.

Na Assembleia Legislativa, o avanço foi ainda maior. Dourados passou de quatro para cinco representantes, ocupando mais de 20% das 24 cadeiras. A bancada será formada por Zé Teixeira, Tiago Botelho, Gianni Nogueira, Professora Gleice Jane e Renato Câmara. Há nela veteranos, estreantes, governistas e oposicionistas — diversidade que pode ser útil à cidade, desde que as diferenças partidárias não se transformem em desculpa para a dispersão.

O grande nome da votação foi Zé Teixeira. Decano da política estadual, ele chegou ao nono mandato com 54.080 votos, a maior votação entre todos os candidatos à Assembleia. Em Dourados, recebeu 17.734 votos. Depois de tantas eleições, mudanças partidárias, governos e crises, Zé Teixeira continua atravessando as urnas com a resistência de quem transformou o mandato em patrimônio político. Não precisará comprar terno novo: o antigo continua servindo perfeitamente.

A principal novidade foi Gianni Nogueira. A vice-prefeita deixou o gabinete de Marçal Filho para disputar sua primeira eleição parlamentar e conquistou 36.108 votos em todo o Estado, dos quais 19.969 em Dourados. Foi a candidata estadual mais votada no município e ainda conseguiu avançar eleitoralmente sobre Campo Grande e outras regiões, dando ao mandato uma dimensão que ultrapassa sua base de origem.

“A voz do interior vai ser ouvida”, afirmou Gianni depois da confirmação do resultado. Ela prometeu levar à Assembleia as demandas recolhidas durante a campanha e priorizar saúde, segurança, infraestrutura, educação e proteção de mulheres e crianças. O compromisso combina com a posição que passa a ocupar: além de representar Dourados, Gianni chega com a responsabilidade de transformar a votação obtida fora do município em interlocução permanente com o restante do Estado.

Ao lado do marido, Rodolfo Nogueira, passa a formar um casal com representação simultânea na Câmara Federal e na Assembleia Legislativa — ele em Brasília, ela em Campo Grande —, além da ligação direta com a administração municipal. A eleição dos dois também comprova que o casal deixou de depender apenas do empurrão eleitoral de Jair Bolsonaro e do apoio de Marçal Filho. Rodolfo e Gianni saíram das urnas como puxadores de votos, donos de capital político próprio e participantes de uma engrenagem que envolve o PL, a Prefeitura de Dourados e a base estadual de Riedel. O cartão de crédito familiar, tantas vezes lembrado durante a campanha, agora terá de dividir espaço com o crédito efetivamente concedido pelas urnas.

O PT também saiu fortalecido. Tiago Botelho conquistou o primeiro mandato com 39.387 votos, sendo 9.866 em Dourados. Professor da Universidade Federal da Grande Dourados e figura conhecida nas disputas políticas e acadêmicas do município, ele chega à Assembleia como uma das principais novidades da esquerda no Estado.

Gleice Jane, por sua vez, foi reeleita com 29.844 votos e recebeu 6.272 no município. Sua permanência garante continuidade à representação petista e assegura que a bancada douradense não seja uma extensão integral do governo. Tiago e Gleice fizeram campanha no palanque de Fábio Trad e deverão ocupar espaço na oposição a Riedel, embora isso não impeça convergências em projetos destinados à região.

Renato Câmara completa o grupo. Eleito pelo Republicanos com 20.976 votos, dos quais 4.077 em Dourados, mantém uma cadeira construída a partir de sua atuação municipalista e do relacionamento com prefeitos, vereadores e lideranças do interior. Seu partido integra o arco governista, e Renato tende a continuar como interlocutor do município dentro da base de Riedel.

A correlação de forças é favorável ao governador. Dos cinco deputados estaduais ligados a Dourados, Zé Teixeira, Gianni Nogueira e Renato Câmara estão em partidos que compõem sua sustentação. Na Câmara Federal, Rodolfo e Isa também pertencem a legendas situadas no mesmo campo político estadual. Tiago Botelho e Gleice Jane representarão a oposição petista. Riedel terá, portanto, maioria entre os parlamentares douradenses, mas não unanimidade — configuração saudável para um município que precisa de portas abertas no governo sem abrir mão de fiscalização e contraponto.

Barbosinha fecha esse tabuleiro a partir do Executivo. Como vice-governador reeleito, permanece na posição mais alta ocupada atualmente por um político de Dourados na estrutura estadual. A combinação de vice-governador, dois deputados federais e cinco estaduais oferece à cidade uma força que não poderá mais ser medida apenas pelo número de representantes, mas pela capacidade de fazê-los atuar em conjunto.

Dourados sempre reclamou de produzir riqueza, votos e arrecadação sem receber do Estado e da União atenção proporcional ao seu tamanho. A partir de agora, essa justificativa enfraquece. A cidade tem gente no Governo, na Câmara Federal e em mais de um quinto da Assembleia Legislativa. Se continuar faltando articulação para hospitais, infraestrutura, segurança, universidades, duplicações e desenvolvimento regional, não será por ausência de cadeiras ocupadas.

A eleição entregou a Dourados uma bancada. Caberá aos eleitos provar que ela não será apenas uma fotografia numerosa.

OS ELEITOS DE DOURADOS

Executivo estadual

  • Barbosinha (PSD) — vice-governador reeleito na chapa de Eduardo Riedel.

Câmara Federal

  • Rodolfo Nogueira (PL) — 103.303 votos.
  • Isa Marcondes (Republicanos) — 76.956 votos.

Assembleia Legislativa

  • Zé Teixeira (PL) — 54.080 votos.
  • Tiago Botelho (PT) — 39.387 votos.
  • Gianni Nogueira (PL) — 36.108 votos.
  • Professora Gleice Jane (PT) — 29.844 votos.
  • Renato Câmara (Republicanos) — 20.976 votos.

(*) jornalista e editor do contrapontoMS, em colaboração humano–IA, sob revisão e edição final do autor.

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