01/04/2010 – 05:04
Foto: divulgação
O prefeito de Dourados, Ari Valdecir Artuzi (foto), foi preso no final da noite passada, quando saia de um restaurante, no bairro Cabeceira Alegre, em companhia de amigos e assessores. A prisão foi decretada pelo Tribunal de Justiça do Estado, depois que o desembargador Claudionor Abss Duarte, relator do processo Owari/Brothers, reavaliou a materialidade das provas contra Valdecir e seu bando, contidas na denúncia do Procurador Geral de Justiça do Estado, Miguel Vieira da Silva.
Por ironia, Valdecir foi preso exatamente no dia em que resolveu reunir amigos e assessores para comemorar a decisão que, neste primeiro momento, o livrou da cadeia. Tanto que estavam com ele, na hora da prisão, alguns dos principais envolvidos no escândalo que abalou Dourados no ano passado, como o assessor para assuntos aleatórios, Jorginho Dauzacker, a assessora especialíssima, Márcia Geromini, que voltou ao núcleo do poder municipal depois de ameaçar contar tudo que sabe à justiça, os ex-secretários Carlos Iores, Darci Caldo, Sandro Barbara e o vereador Júnior Teixeira, seu líder na Câmara, todos, presos pela Polícia Federal naquele fatídico 7 de julho.
No Tribunal informou-se que o relator do processo resolveu reavaliar sua decisão – fato inédito e histórico – depois de analisar o teor da entrevista concedida por Valdecir a uma emissora douradense no dia anterior à apresentação da denúncia pelo Ministério Público, na qual o prefeito informa, em tom de ameaça, estar reunindo documentos para “derrubar gente grande” que estaria lhe perseguindo. Teria pesado também o clamor popular, diante do fato de que mesmo com o mandato cassado como governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda, continua preso na sede da Polícia Federal, em Brasília, por motivos idênticos, ou seja, por ter ido com muita sede ao pote do dinheiro público.
A Polícia Federal de Dourados se desdobrou para cumprir imediatamente o mandado de prisão, ontem mesmo, data emblemática na política nacional, pelo mesmo motivo que levou os militares a dar como consumado em 31 de março o golpe que depôs o governo João Goulart que, na realidade, aconteceu em primeiro de abril de 1964. Afinal, primeiro de abril é o dia da mentira.
