11/04/2010 – 10:04
Foto: Anita Tetslaff
Biasotto, a esposa, Helena, o blogueiro, parente de Laquicho, e Odila, em noite de autógrafos, ontem, na Academia Douradense de Letras.
Durante o tempo em que comandou o Ministério da Integração Nacional, onde estão alocados recursos para obras de prevenção de tragédias como a que assola o Rio de Janeiro, Geddel Veira Lima desviou o quanto pôde (mais de 60%) de verbas para seu Estado, a Bahia, deixando a raspa-do-tacho para o resto do Brasil. Por uma infeliz coincidência, ao mesmo tempo em que morros vinham abaixo, matando mais de duzentas pessoas, no Rio, o Tribunal de Contas da União denunciava o excesso de zelo de Geddel com sua Bahia. E o que fez o presidente Lula, patrão de Geddel, a quem caberia exigir a justa distribuição desses recursos? Saiu em defesa de seu ex-ministro, criticando o TCU, que recentemente havia lhe passado uma reprimenda por insistir em tocar obras embargadas pela Corte, por denúncia de superfaturamento. Quer dizer, tudo que a imprensa mostrou, didaticamente, de mais um escândalo da República de Garanhuns, é mentira. A verdade está com Geddel, que, com a maior cara-de-pau, tentou justificar seus atos pela displicência dos demais Estados na execução de projetos.
Nem é preciso ir muito longe para se constatar as grandes mentiras envolvendo homens públicos. Não é só Lula que tenta maquiar situações desfavoráveis para delas tirar proveito, utilizando-se, para isso, do grande aparato que têm à disposição, de mídia $impática ao poder. Aqui por estas bandas, também, são cada vez mais notórios os casos de grandes mentiras que, bem ao estilo de Joseph Goelbbes, ministro da propaganda de Adolf Hitler, contadas cem vezes, acabam se transformando em verdade. Na maioria dos casos, pés-rapados recém-chegados ao poder que da noite para o dia começam a ostentar luxo e riqueza, como o secretário municipal pego em flagrante pela Polícia Federal, na operação Owari, com uma pacoteira debaixo do colchão, dizendo ser dinheiro de parentes no exterior; ou de outro secretário, do mesmo governo, que embarca cada dia mais gado de raça, graças ao milagre da multiplicação de sua poupançazinha aos tempos de professor municipal, quando é tão evidente quanto o sol desta bela manhã de outono quem é o verdadeiro “fazendeiro”. Sem contar a “verdade” deste mesmo fazendeiro, o gerente do “Capo”, que acaba prevalecendo, sempre, diante de um poder judiciário pusilânime que treme diante de suas ameaças de “derrubar gente grande”.
Por tudo isso vem em boa hora o relançamento do livro do professor Wilson Valentin Biasotto, “Até aqui o Laquicho vai bem”. Cresci ouvindo que o Laquicho foi o maior mentiroso que passou pela terra de seu Marcelino. Graças a Biasotto este mineiro de Frutal, cuja árvore genealógica tenho orgulho de pertencer, passou de “mentiroso” a fenômeno literário, a personagem indispensável de nossa história, como o maior de nossos contadores de causos. Se hoje vivesse, certamente que Laquicho colocaria no chinelo a maioria dos chatos humoristas que infestam as telas de TV.
Uma pena – acreditem – não poder parafrasear Laquicho para encerrar este texto com uma afirmação a respeito de nosso atual fenômeno: até aqui o Valdecir vai bem.
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