22/04/2010 – 10:04
Foto montagem: Anita Tetslaff
“Puro-sangue” italiano de André e o “cavalo pantaneiro” de Zeca do PT.
Zeca do PT vem dizendo Mato Grosso do Sul afora que esta peleia com André Puccinelli vai ser decidida no olho mecânico – aquele treco utilizado para fotografar os cavalos e se conhecer o vencedor nos casos em que chegam emparelhados. Aliás, pelo tanto que se tem falado em cavalos, do pangaré (ou matungo, cavalo fraco) ao paraguaio (aquele que é bom só de largada) dá pra se imaginar o que vem de coices por aí. A menos que algum quarto de milha, quem sabe um puro-sangue italiano, tome a dianteira e deixe os demais na poeira logo na largada.
Otimismo de titio Zeca, apeado da montaria há quase quatro anos, ou consciência de dureza de páreo, por conhecer a qualidade e o volume da ração servida no haras do Parque dos Poderes? As duas coisas, mas principalmente o sentimento de revanche que nutre por Puccinelli desde que para ele perdeu a prefeitura de Campo Grande, por menos de quinhentos votos, em 1996.
Enquanto não se dá a largada desta que promete ser uma carreira histórica, haja paciência para aguentar tantos números, de tantas pesquisas, daqui para meados de agosto, quando entram no ar os programas eleitorais do rádio e da TV. De verdade, é aí que começa a campanha. Nessa hora costuma-se zerar tudo, embora já se tenha uma noção de como as coisas vão caminhar, pelo aperitivo servido aos eleitores nesta fase de pré-campanha.
E a pergunta que sempre inquieta os eleitores: até que ponto confiar nas pesquisas eleitorais? Depende da pesquisa, do Instituto, da forma como – e por quem – são contratadas e, principalmente, divulgadas. Esta é uma fase de ajustes. Dependendo do cliente, alguns institutos dão aquela “maquiadinha” básica, passando ao eleitor números que não condizem com a verdadeira tendência do eleitorado. Tem Institutos e “institutos” de Pesquisas. E, lá na frente, os fiascos e as desculpas esfarrapadas de sempre. Tem candidato que contrata pesquisa para se orientar, como forma de investimento, para definir estratégias. Outros, para se iludir.
O pré-candidato a senador, Dagoberto Nogueira, em encontro político, não faz muito tempo, em Dourados, disse que não dá para acreditar em pesquisas, já que é o cliente quem define os números a serem repassados ao público. Naquela época ele estava na rabeira das pesquisas. Será que agora, aparecendo em segundo lugar, ele acredita nelas?
O deputado Waldemir Moka, candidato de André Puccinelli a senador, dizendo-se encorajado com os números do IBRAPE ontem divulgados pelo CORREIO DO ESTADO, deu a medida exata do que se pode esperar das pesquisas nesta fase da campanha: “Estou quatro pontos atrás do segundo colocado. Mas posso também estar quatro pontos à frente. A pesquisa mostra claramente que isso pode estar ocorrendo”. Ele se refere a tal margem de erro, a tábua de salvação de muitos desses institutos.
A cancha está quase no jeito. O público já começa a se inquietar. E apostar. Resta saber qual carreira vai empolgar mais.
