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Zeca do PT de sapicuá cheio com Delcídio

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23/05/2010 – 09:05

Foto: Divulgação

É cada vez maior o constrangimento entre os dois caciques do PT.

Quatro ou oito, não sei. Se eu chegar, depois de quatro anos, e todos os fazendeiros me apoiarem, posso querer mais quatro. Zeca do PT, ipsis litteris, no CORREIO DO ESTADO de quarta-feira, depois de um encontro com líderes dos ruralistas na Acrissul, em Campo Grande. “Em 2014, a bola vem para o papai aqui”, título da réplica de Delcídio do Amaral, também no jornal de Antonio João, na edição deste domingo.

Esta troca de farpas entre os dois principais líderes do PT foi o grande fato político da semana. Como todos sabem titio Zeca, na esperança de conseguir o empenho (diferente de “apoio”) do senador, jurou na cruz que, em caso de uma hipotética vitória nas eleições deste ano, pararia por aí, ou seja, não se recandidataria em 2014. Claro que Delcídio não acreditou. Tanto não acreditou que vem fazendo campanha solo, pensando única e exclusivamente, também, em 2014, já que dá como favas contadas seu retorno ao senado este ano. Some-se a isso os resquícios de 2006, quando sua derrota para André Puccinelli foi atribuída ao corpo mole do governador de então. Santa “ingenuidade!”.

Zeca até que tentou se reconciliar com Delcídio. Chegaram a cruzar caminhos, em clima de campanha, em Campo Grande e Dourados. Mas parou por aí. Depois foi um tal de agendas não coincidirem e até à dengue contraída pelo corumbaense atribuiu-se a dificuldade de se encontrarem. Exemplos: na tradicional Festa da Linguiça, em Maracaju, Delcídio foi na sexta-feira, aproveitando a presença na terra dos Marcondes para inaugurar o terminal rodoviário. Zeca chegou no sábado. Em Dourados, agora, na Expoagro, foi a vez de Zeca aparecer primeiro, Delcídio só uma semana depois.

Além do alegado corpo mole de Zeca na disputa passada do governo do Estado, Delcídio ficou uma arara da vida com a ingerência de João Leite Schimid, chefão do PDT, na indicação de madame Gilda dos Santos, mulher de Zeca, como suplente de Dagoberto Nogueira, também candidato ao senado, no palanque do PT.

Mas tudo isso é perfumaria, nada que não possa ser contornado, independentemente do salto alto do senador e de sua assessoria. O que pega mesmo são as evidências de camaradagem entre Delcídio e André (o que tira o sono, também, de Murilo Zauith), atrelados não só pelo timing em relação a alternância de poder que poderá se estabelecer entre ambos, como pela forte influência de prefeitos, grandes cabos eleitorais de agora, mas todos pensando em 2012 e, por isso mesmo, dependentes cada vez mais das ações do governo do Estado, muitas delas só possíveis graças à parceria com Delcídio, por sua enorme habilidade em arrancar dinheiro do governo federal para Mato Grosso do Sul.

E assim, de sapicuá cheio, como gosta de dizer, é bem possível que Zeca do PT torça pelos tão comentados possíveis dois palanques em Mato Grosso do Sul, mas não para num subir, com Dilma Rousseff, e no outro o governador com sua fada madrinha, mas um para ele outro para Delcídio.

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