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quinta-feira, julho 2, 2026

Só sociedade organizada para conter o Valdecir

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29/05/2010 – 09:05

Foto: Anita Tetslaff

André Puccinelli: um tributo a Estevão Minhos, nos 23 anos do DOF 

Assunto predominante nas várias rodinhas que se formavam ontem durante as comemorações dos 23 anos de fundação do Departamento de Operações de Fronteiras – o DOF (nascido GOF), a corrupção que grassa na prefeitura de Dourados só terá fim caso a sociedade organizada se conscientize da gravidade da situação e tome a iniciativa de estancar o jorro do dinheiro público que vai para o ralo, como diz Oswaldinho Duarte. Ali, diante da elite de várias forças de segurança pública, de bombeiros ao Exército, um graduado representante do fisco foi enfático: “a polícia não consegue acabar com isto que aí está, da forma como está, só a pressão da sociedade civil”. E citou o mais recente exemplo desse tipo de mobilização, que já derrubou presidente da República no Brasil – o projeto ficha limpa, recentemente aprovado no Senado graças ao movimento popular que recolheu milhões de assinaturas país afora, para que os parlamentares pudessem cortar a própria carne, já que o Congresso, com suas raras e honrosas exceções, é um dos maiores exemplos da sem-vergonhice nacional.

O próprio DOF é um exemplo de que quando a sociedade se organiza, arregaça as mangas e estabelece uma meta, as coisas acontecem. O coronel Adib Massad, em que pesasse toda sua fama de durão, sozinho, não conseguiria pôr fim à criminalidade que assustava a região no final dos anos 1980, ele que por aqui já andara na década anterior, fazendo sumir na quiçaça ou vendo morrer em combate com seus “meninos” alguns dos bandidos mais perigosos que atormentavam a região, como o lendário “Lobisomem”.

O governador André Puccinelli, em seu discurso lembrando os feitos do GOF/DOF, foi muito feliz ao citar, dentre os presentes, o trabalho de um ícone do movimento que fez surgir esta força policial – o pecuarista Estevão Minhos. Foram muitas as churrascadas promovidas por Minhos, com a ajuda de outros beneméritos, para que o DOF se transformasse em exemplo de corporação para o País, a ponto de servir de modelo para o PFRON – Policiamento de Fronteira que o presidente Lula veio lançar oficialmente dias atrás em Ponta Porã.

Pelo que se ouvia ontem no DOF, o bicho vai pegar e já já entidades como a ACED, agora com sangue novo, a OAB, as tantas Lojas Maçônicas, Lions e Rotary, os Sindicatos e todos os demais segmentos representativos serão chamadas à responsabilidade, para que Dourados não se esvaia, diante da morosidade da Justiça. Exemplo disso é o pedido de uma comissão processante que já chegou à Câmara Municipal, por iniciativa de um advogado. Sem falar que na mesma câmara, a docilidade dos nobres edis para com a prefeitura parece chegar ao fim. Também nas ruas, desde o desfile do Pinóquio com cara de Valdecir, no último sete de setembro, os protestos começam a pipocar. Daqui a pouco, os cara-pintadas. Daí para a derrocada final é um passo, só um empurrãozinho.

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