14/06/2010 – 08:06
Foto: Anita Tetslaff
Para aparecer na foto vale tudo, até brincar de trenzinho.
O governador André Puccinelli, que lá atrás apelidou o Ari Valdecir de “animal de pêlo” curto, agora chama o prefeito de Dourados de “Ari Pucci”. “Por enquanto”, disse o governador durante sua última visita a Dourados, ao referir-se ao tanto de obras que vem fazendo na cidade, dando a entender que neste ritmo, vindo o segundo mandato e, desde que Valdecir consiga terminar o dele, sairá da prefeitura chamando-se Ari Valdecir Artuzi Puccinelli da Silva. Sim, o “da Silva”, por minha conta, pelo tanto que ajudo o prefeito, como único jornalista a criticá-lo, de verdade, e a apontar-lhe caminhos, também quero o sobrenome mais popular do Brasil na nova identidade do chefe da República de São Valentim.
Na realidade o que já se cristaliza, politicamente, é que André Puccinelli, como governador de Mato Grosso do Sul, vem se transformando no grande prefeito de Dourados, não só pela fragilidade de Valdecir como “administrador” público, como pelo tanto de encrenca em que ele se meteu, em tão pouco tempo. O volume de recursos estaduais jamais investidos antes na cidade por um único governador já o credencia a isso, sem falar que, sem se descuidar dos programas sociais, André vem fazendo o que o antecessor não conseguiu, marcando sua administração, não só com uma obras emblemáticas, como são a Perimetral Norte e a duplicação entre Dourados e Itaporã, mas pelo maior programa de saneamento básico já visto na cidade, com a implantação de cerca de 250 km de rede de esgoto. Tudo bem que é em parceria com Lula da Silva, mas como ele diz sempre, em seu jeito muito peculiar de se expressar. “Se assim o fazemos é porque temos projetos que convencem as esferas técnicas do governo”.
Com isso, o (des) governo Valdecir, que parecia se esboroar ao final do primeiro ano, ganha fôlego com o congelamento dos processos Owari na Justiça e, mesmo com a enxurrada de denúncias que pipocam a todo instante, até conseguiu dar uma respirada, com seus índices de popularidade saindo dos patamares de risco de uns três meses atrás. E há uma explicação científica para isso. Se o governador vai bem, o prefeito, por pior que seja, consegue aparecer bonito na foto ao lado dele. E aí está uma coisa que o Valdecir sabe fazer como ninguém: aparecer na foto. Tanto que, pelo seu caradurismo, se não conseguir passar à história por suas proezas, terá para si, em definitivo, o troféu “Papagaio de Pirata”.
