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quinta-feira, julho 2, 2026

O risco calculado de André com o Valdecir

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05/08/2010 – 10:08

Foto: Anita Tetslaff

Artuzi achou que podia blefar com André Puccinelli. 

O radialista Antonio Coca, em recente entrevista ao vivo com André Puccinelli, na Grande FM, disse que só tinha uma reclamação a fazer do ilustre entrevistado, que era quanto à opção dele, ao sair de Fátima do Sul, de mala e cuia, pegando o trevo da BR 163 à direita e não à esquerda, transferindo o domicílio eleitoral para Campo Grande e não para Dourados.

Aqui mesmo, neste blog, como testemunha do quanto ele se sente em casa sempre que chega à cidade, referi-me a Puccinelli com um governador “quase douradense”. Para tranquilizar Coca, e, como que a ratificar meu próprio título, eis que André age, senão como prefeito, mas como o grande avalista de uma administração à beira da bancarrota, diante dos desvarios daquele que para isso foi eleito.

Quando todo mundo apostava no quanto pior melhor, com Valdecir chafurdado num mar de lama, André resolveu encarar a missão – a esta altura do campeonato – hercúlea de dar a ele – e a Dourados – uma sobrevida. Espanto geral, desconforto para os aliados do prefeito, indignação para alguns aliados do governador, depois de tudo o que aconteceu, inclusive o apelido (que colou) de animal de pêlo curto dado por ele ao então deputado, mas acima de tudo um risco calculado assumido não só por quem tem interesse no potencial eleitoral do adversário, mas, principalmente, pela responsabilidade de não deixar uma cidade como Dourados à deriva.

A decisão de ontem do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul, aceitando a denúncia do Ministério Público, que complica uma barbaridade a vida do Valdecir, aumenta ainda mais a responsabilidade de André Puccinelli para com Dourados. Se antes, quando achava que tudo sabia e tudo podia (até comprar juízes) Valdecir não tinha as mínimas condições de tocar as coisas como prefeito, imagine agora, como réu, tendo que cuidar de sua defesa, por tudo que andou aprontando como gerente dos Uemura, a família acusada de saquear a prefeitura de Dourados.

O emblemático sete a zero de ontem foi um bom resultado também para o governador, pois com isso vão também para as cucuias os comentários de que ele estaria acoitando bandidos, protegendo Valdecir e sua gangue. Pelo contrário, foi o Valdecir quem, duvidando da competência de André ou apostando em revanchismo, disse que apoiaria seu governo, desde que ele se comprometesse em fazer a Perimetral Norte, o recapeamento das ruas de Dourados e desse algumas UTIs.

Que André Puccinelli, como candidato, tire proveito disso e do que restou do prestígio de Valdecir, tudo bem. Afinal, o cara ainda é prefeito da segunda maior cidade do Estado. E votos não se recusam.

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